"Super El Niño": Especialistas atualizam sobre fenômeno que pode gerar caos no Brasil
Cenário observado no início de junho indica uma nova atualização
247 - As condições oceânicas para a formação de um novo episódio de El Niño ganharam força nas últimas semanas, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial avançou e já se aproxima dos critérios técnicos usados para caracterizar oficialmente o fenômeno climático, que pode alterar padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.
De acordo com o Inmet, o cenário observado no início de junho indica maior probabilidade de desenvolvimento do El Niño nos próximos meses, caso a tendência de aquecimento das águas do Pacífico Equatorial seja mantida.
Segundo o instituto, o “cenário sinaliza condições altamente favoráveis ao desenvolvimento e consolidação de um episódio de El Niño em breve, com a persistência da tendência de aquecimento”.
Dados divulgados pelo Inmet mostram que a anomalia média da temperatura da superfície do mar na região conhecida como Niño 3.4 passou de -0,03°C em abril para 0,49°C em maio. O índice ficou praticamente no limite associado ao início das condições de El Niño.
O aquecimento continuou nas semanas seguintes. Na primeira semana de junho, a anomalia chegou a 0,7°C, mantendo-se acima de 0,5°C, patamar considerado indicativo do fenômeno. Para meteorologistas, a persistência desse quadro reforça a possibilidade de consolidação do El Niño nos próximos meses.
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Sua ocorrência interfere na circulação atmosférica e pode modificar os regimes de chuva e temperatura em várias partes do mundo, incluindo o Brasil.
De acordo com o Inmet, um episódio de El Niño é oficialmente caracterizado quando o Índice Oceânico Niño Relativo (RONI) permanece igual ou superior a 0,5°C por pelo menos cinco trimestres consecutivos. Pelas observações recentes e pelas projeções dos modelos climáticos, o primeiro trimestre a atingir esse patamar deverá ser o período entre abril, maio e junho deste ano.
No Brasil, o fenômeno costuma provocar efeitos diferentes conforme a região. No Sul, pode favorecer episódios de chuva intensa, temporais, enchentes e deslizamentos. No Norte e no Nordeste, está associado ao risco de seca severa, redução do nível dos rios, escassez de água e aumento de incêndios florestais.
Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, o El Niño pode contribuir para ondas de calor, queda da umidade relativa do ar e impactos à saúde da população, como desidratação e agravamento de problemas cardiovasculares. Também há reflexos potenciais sobre a agricultura, a produção de alimentos e a inflação, em razão de possíveis perdas no campo.
O alerta ocorre em um contexto de temperaturas globais elevadas, o que amplia a preocupação de especialistas com eventos climáticos extremos. Como o El Niño altera correntes marítimas e ventos no Oceano Pacífico, seus efeitos podem se espalhar por diferentes continentes e intensificar desastres naturais.
O Inmet informou que segue acompanhando as condições oceânicas e atmosféricas relacionadas ao fenômeno, além das projeções de centros meteorológicos internacionais. A expectativa é que o instituto divulgue, até o fim desta semana, uma atualização técnica com novas informações sobre a evolução do quadro.
Até que os critérios de duração sejam cumpridos, o fenômeno ainda não está oficialmente consolidado. No entanto, os dados mais recentes indicam que o Pacífico Equatorial entrou em uma fase de aquecimento relevante, com sinais compatíveis com a possível formação de um novo El Niño em breve.
