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Tempestade solar atingirá a Terra após megaerupção no Sol, alerta Nasa

A região ativa responsável pelas explosões, a mancha solar AR 4366, chama atenção pelo tamanho

Sol (Foto: ESA/Divulgação)

247 - Uma série de erupções solares de grande intensidade colocou a comunidade científica em alerta e deve resultar na chegada de material solar à Terra entre quinta-feira (5) e sexta-feira (6). Satélites registraram pelo menos cinco explosões de classe X — a categoria mais poderosa — em menos de três dias, todas originadas de uma mesma região ativa do Sol, identificada como AR 4366.As informações foram divulgadas pela CNN Brasil. 

Segundo os órgãos, a erupção mais forte, classificada como X8.1, provocou a ejeção de material solar que segue em direção ao planeta, embora a expectativa seja de impactos de fraca intensidade.

De acordo com os registros, a sequência recente começou no domingo (1º), quando ocorreu uma explosão classificada como X1.0. Em seguida, veio o evento mais potente, de classe X8.1, seguido por erupções X2.8 e X1.6. Nesta terça-feira (3), uma nova explosão de classe X1.5 foi observada, consolidando o quinto episódio dessa categoria em poucos dias — um ritmo considerado incomum pelos especialistas.

A NOAA informou que a explosão X8.1 foi responsável pela ejeção de massa coronal que deve alcançar a Terra. Mesmo com previsão de efeitos moderados, episódios desse tipo podem interferir em comunicações de rádio, redes elétricas e sinais de navegação, além de representar riscos para astronautas em missão. Também há possibilidade de intensificação de auroras em latitudes mais altas.

A região ativa responsável pelas explosões, a mancha solar AR 4366, chama atenção pelo tamanho. Segundo o astrônomo Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a mancha tem cerca de 10 vezes o diâmetro da Terra e segue em atividade. Desde que surgiu, em 30 de janeiro, já foram contabilizadas 21 erupções de classe C, 38 de classe M e cinco de classe X, o que reforça o caráter excepcional do período recente.

As erupções solares fazem parte do comportamento natural do Sol, que passa por ciclos de atividade magnética com duração média de 11 anos. Durante esses ciclos, o campo magnético da estrela se reorganiza, favorecendo o aparecimento de manchas solares e a ocorrência de explosões de diferentes intensidades. Embora eventos dessa natureza sejam relativamente comuns, a concentração de erupções fortes em tão pouco tempo é menos frequente.

Os cientistas classificam essas explosões em categorias que indicam seu potencial de impacto. As de classe X são as mais severas, podendo afetar satélites e sistemas de comunicação. As de classe M têm intensidade intermediária e podem causar interrupções pontuais em transmissões de rádio, enquanto as de classe C são menores e, em geral, com poucas consequências perceptíveis. Abaixo delas estão as classes B e A, progressivamente mais fracas e com efeitos praticamente imperceptíveis na Terra.

Mesmo sem expectativa de grandes transtornos, a sequência de eventos reforça a importância do monitoramento constante da atividade solar, já que tempestades mais intensas podem, em cenários extremos, causar impactos relevantes na infraestrutura tecnológica do planeta.