Texto de acordo da COP27 prevê fundo “histórico” para países em desenvolvimento

A questão, agora, é saber se os países desenvolvidos aceitarão os termos do texto divulgado pela presidência egípcia da COP em Sharm El-Sheikh

www.brasil247.com -
(Foto: REUTERS/Mohammed Salem)


Lúcia Müzell, da RFI - As negociações entre os 197 países participantes da COP27 prosseguem neste sábado (20), quase 24 horas após o término do prazo oficial para o fim do evento, realizado no Egito. Um rascunho do documento final foi revelado nesta tarde e inclui um “novo fundo” para ajudar os países em desenvolvimento a “responder às perdas e danos” causadas pelas mudanças climáticas.

A questão, agora, é saber se os países desenvolvidos aceitarão os termos do texto divulgado pela presidência egípcia da COP em Sharm El-Sheikh. Se o documento for aprovado na plenária da conferência, vai representar um passo marcante nas negociações climáticas, já que as compensações por perdas e danos são discutidas há 30 anos, desde a criação da Convenção Quadro para as Mudanças Climáticas pela ONU, ressalta Stela Herschmann, especialista em política climática do Observatório do Clima.

O rascunho menciona que o fundo iria “mobilizar recursos novos e adicionais”, mas não detalha quem seriam os financiadores, nem quais países exatamente poderão se beneficiar do instrumento. Durante toda a conferência, iniciada há quase duas semanas, os Estados Unidos e a União Europeia exigiam que a China – potência emergente e atual maior emissora de gases de efeito estufa – aceitasse contribuir para o mecanismo.

Pequim, entretanto, rejeita pagar enquanto os países desenvolvidos, principais responsáveis históricos pelo aquecimento, sequer cumpriram as promessas de financiamento feitas há 13 anos. 

Definições até a COP28

Agora, se o acordo foi aprovado, um grupo de trabalho deverá ser criado para estabelecer os princípios do fundo, com a expectativa de que ele comece a ser melhor desenhado na próxima COP, nos Emirados Árabes Unidos.

“Tem várias questões operacionais que vão ficar para o ano que vem, mas os países, ao estabelecerem o fundo, reconhecem a necessidade desse financiamento especifico para perdas e danos, o que me parece ser uma vitória histórica, ainda que não totalmente operacional desde agora”, avalia Herschmann. “Seria muito difícil, nesta COP, a gente ter todas as definições, principalmente sobre quem seriam os beneficiados e quem seriam os responsáveis por pagar essa conta”, explica.

A especialista observa que o pleito das perdas e danos é uma demanda histórica dos países em desenvolvimento, com apoio do Brasil e especialmente depois da criação do grupo de trabalho conhecido como G77+China, que reúne as nações mais pobres e emergentes. O Brasil, entretanto, não está a priori disposto a doar recursos para o mecanismo enquanto os países ricos não cumprirem as promessas financeiras já assumidas pelas economias desenvolvidas e, até hoje, não cumpridas.

Possibilidade de acabar sem acordo

O texto aponta “sérias preocupações” com o fato de que ainda não saíram do papel os US$ 100 bilhões por ano disponibilizados para as economias em desenvolvimento se adaptarem às mudanças do clima e encaminharem a diminuição das suas emissões de CO2. O acordo deveria ter começado a ser implementado em 2020.

As negociações sobre estes aspectos estavam tão travadas que o clima de pessimismo imperou na reta final da COP27, com algumas organizações não governamentais temendo até mesmo a falta de acordo. O espectro à vista era de uma repetição do fracasso da conferência de Copenhague, em 2009. “A COP27 Foi muito desafiadora. Havia um nível de desconfiança muito grande entre os países”, indica Herschmann.

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

O conhecimento liberta. Quero ser membro. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

Cortes 247