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Veja locais que podem ser afetados pelo Super El Niño e a partir de quando

O calor extremo pode pressionar sistemas de saúde, produção agrícola, geração de energia e abastecimento

Poluição e calor em São Paulo (Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil)
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247 - Um El Niño de intensidade moderada a forte pode atingir o Brasil a partir do segundo semestre de 2026 e elevar o risco de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do país. O fenômeno, que vem sendo chamado de Super El Niño, acendeu o alerta de meteorologistas para chuvas intensas, enchentes, estiagem severa, ondas de calor e aumento do risco de queimadas.

As informações são do Metrópoles. Segundo dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), há 82% de chance de o El Niño se formar entre maio e julho, com previsão de 96% de desenvolvimento do evento até dezembro.

O El Niño é um fenômeno natural do Oceano Pacífico caracterizado pelo aquecimento anormal das águas, provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. Essa mudança interfere na circulação atmosférica global e altera o regime de chuvas e temperaturas em várias partes do planeta.

Em geral, o fenômeno favorece clima mais seco no Sudeste Asiático, na Austrália, no sul da África e nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Também pode aumentar as chuvas em áreas como a África oriental, o sul dos Estados Unidos, o Peru e o Equador.

No Brasil, os principais pontos de atenção são as regiões Sul, Norte e Nordeste. Especialistas ouvidos pelo Metrópoles alertam que o fenômeno previsto para 2026 e 2027 pode ter comportamento diferente do registrado entre 2023 e 2024.

A meteorologista Estael Sias, mestre em Meteorologia pela Universidade de São Paulo (USP), afirmou que o El Niño 2026/2027 pode começar em junho e provocar impactos relevantes no país. “Para o 2º semestre, os modelos estão colocando mais umidade entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, o que é diferente do padrão tradicional do El Niño, indicando essa possibilidade de chuva acima da média nestes estados. Já no Sul, teremos potencial de precipitações mais elevadas, com frequentes alagamentos e risco de enchentes”, explica a meteorologista Estael Sias.

A região Sul aparece como uma das mais vulneráveis ao aumento das chuvas. O El Niño pode alterar a circulação atmosférica e favorecer o transporte de umidade da Amazônia para o Sul do país. Quando essa umidade se combina com frentes frias retidas na região, aumenta o risco de temporais, inundações e enchentes.

Esse tipo de configuração climática já esteve associado a episódios graves no passado recente. Em 2024, chuvas extremas, somadas a vulnerabilidades locais, contribuíram para a tragédia das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.

O engenheiro ambiental e professor da UERJ Júlio César da Silva afirmou que os impactos do fenômeno dependem também da infraestrutura de cada localidade. “No Sul, onde o El Niño concentrará chuvas extremas, sistemas de drenagem subdimensionados tendem a colapsar rapidamente, gerando alagamentos recorrentes e extravasamento de esgoto. A malha rodoviária de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul tem dezenas de pontos críticos mapeados em áreas de risco geológico”, avalia Júlio César da Silva, engenheiro ambiental e professor da UERJ.

Apesar do risco climático, o professor destacou que a vulnerabilidade de cada região não depende apenas do El Niño, mas também das condições pré-existentes de infraestrutura urbana, drenagem, estradas e capacidade de resposta a desastres.

No Norte e no Nordeste, a preocupação principal é a redução das chuvas, combinada ao aumento das temperaturas. Segundo os especialistas, a estiagem severa pode afetar mananciais e bacias hidrográficas, comprometer a agricultura, dificultar o abastecimento de água e ampliar o risco de queimadas e incêndios.

O interior da região Norte e áreas do semiárido nordestino são apontados como pontos críticos. Nessas áreas, a falta de chuva pode ocorrer de forma gradual, agravando a situação de rios, açudes e reservatórios até comprometer o fornecimento de água.

“O semiárido nordestino e a Amazônia ocidental combinam a maior dependência de infraestrutura sensível ao clima com a menor capacidade fiscal e institucional de resposta. A seca nessas regiões não rompe uma adutora, ela simplesmente esvazia rios e açudes gradualmente, em um colapso silencioso que só se torna visível quando a água já falta”, aponta o engenheiro ambiental Júlio César.

Além da seca, o calor extremo pode pressionar sistemas de saúde, produção agrícola, geração de energia e abastecimento. O avanço de queimadas também preocupa, especialmente em áreas de vegetação mais vulnerável e em regiões onde a fiscalização e a resposta emergencial enfrentam limitações.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta que o El Niño 2026/2027 pode se tornar um dos mais fortes da história moderna. A confirmação da intensidade do fenômeno dependerá da evolução das temperaturas no Oceano Pacífico e da resposta da atmosfera nos próximos meses.