Abraço de afogados e o “catadão” de Barbosa

Jornalista Fernando Brito, do Tijolaço, afirma que uma eventual chapa presidencial com Geraldo Alckmin e como vice Henrique Meirelles "é sinal que o PSDB tem sua base paulista de tal modo corroída que aceita assumir a alça do caixão de Temer em nome de uma composição que lhe deixe São Paulo nas mãos"

Brasília - Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, durante reunião com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (Wilson Dias/Agência Brasil)
Brasília - Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, durante reunião com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (Wilson Dias/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Lucena)

Por Fernando Brito, do Tijolaço - A notícia do dia, ainda que publicada com várias ressalvas sobre sua viabilidade, é manchete no Estadão: uma aliança eleitoral (a política já existe desde que o golpe passou a ser tramado) entre Geraldo Alckmin e Michel Temer, cabendo a este indicar Henrique Meirelles como vice em chapa encabeçada pelo tucano.

Pode, claro, ser balão de ensaio e ser mais uma novidade natimorta, tamanhas são as dificuldades e resistências criadas pelas muitas bocas para pouca farinha. Mas é sinal que o PSDB tem sua base paulista de tal modo corroída que aceita assumir a alça do caixão de Temer em nome de uma composição que lhe deixe São Paulo nas mãos.

Michel Temer, ou quem ele venha a fazer de "preservador de seu legado" sabe que não irá, com toda a máquina partidária, a mais de um dígito nas preferências eleitorais. Geraldo Alckmin, idem.

Como a soma, em eleições, não é uma operação aritmética, é provável que os dois, juntos, também não consigam mais do que separados, exceto nas eleições paulistas.

É mais significativo o que vem daí em matéria de percepção política: uma chapa PSDB + (P) MDB é a representação eleitoral do golpe de Estado e da anormalidade em que o país foi lançado.

É o lado de lá, que deixa o "muro" para outra ave de arribação: Joaquim Barbosa.

Que, apesar da simpatia da mídia como solução possível é ruim, muito ruim de "papo".

No mesmo Estadão, na sua possível pré-estréia como candidato, dá uma estranha "entrevista" que, embora matéria longa, só contém duas declarações do pré-candidato: a de que não é "favorável a posições ultraliberais" – ele "explica" que, vejam só, vê "inadequação à nossa 'engenharia social' dessas soluções meramente livrescas, puramente especulativas" – e que, por ser funcionário público desde jovem, conhece "as virtudes e defeitos, visíveis e invisíveis" do Estado brasileiro.

E mais não disse e, ao que parece, nem lhe foi perguntado, numa matéria que tem todo o jeito de um "catadão" para arranjar algum caldo que apresente a candidatura de Barbosa como algo minimamente substancioso. Até a lista de livros que ele diz ter lido entra na dança.

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