Abril vai migrando do ramo editorial para a educação

Enquanto vive o dilema de ter de cortar R$ 100 milhões em custos na área editorial, na qual 20 revistas de um portfolio de 52 podem ser fechadas, Grupo Abril investe pesado em outro lado; anúncio da compra de dois colégios esta semana, em Pernambuco e Brasília, por mais de R$ 200 milhões, mostra que o foco mudou; já com mais de uma dezena de instituições de ensino em seu poder, a Abril parece mesmo estar mudando de ramo

Abril vai migrando do ramo editorial para a educação
Abril vai migrando do ramo editorial para a educação

247 – Mais do que diversificar atividades, o Grupo Abril parece mesmo estar mudando de ramo. Enquanto, na área editorial, o comando da empresa não chega a um consenso sobre quantos e quais títulos de revistas cortar, à medida em que das suas 52 publicações pelo menos 20, segundo comenta-se no mercado, são deficitárias, na divisão Abril Educação as coisas vão melhor.

Com duas aquisições milionárias em dois dias consecutivos – as compras dos colégios Motivo, de Pernambuco, e Sigma, em Brasília -, a Abril passou a deter um portfolio de mais de uma dezena de instituições de ensino, nas quais totalizou mais de R$ 1,3 bilhão em investimentos nos últimos 12 meses. A pérola mais reluzente é a rede de idiomas Wise Up, comprada em fevereiro, pela qual a Abril desembolsou R$ 877 milhões.

Muitas das operações estão sendo feitas pela Central Abril Educação e Participações (Caep). O colégio Sigma, por exemplo, custou R$ 130 milhões. O colégio Motivo foi comprado por R$ 103 milhões. Ele tem 2,8 mil alunos, enquanto o Sigma possui 5,3 mil. Com mais esses contingentes, a Abril tem sob sua guarda um total superior a 30 mil alunos.

"Além de diversificar a receita, estamos apostando em colégios de excelência. Esta aquisição propiciará à companhia as condições para o estabelecimento de uma presença relevante na região Nordeste", afirmou Manoel Amorim, presidente da Abril Educação, em comunicado, a respeito da compra do colégio Motivo.

INDECISÃO NA CÚPULA - Onde os executivos da Abril ainda não se entendem é mesmo na área editorial. Assim que o chefe do clã que controla a editora, Roberto Civita, morreu, a primeira decisão dos herdeiros Giancarlo e seu irmão Victor Civita Neto, o Titi, foi a de cortar 20 títulos que estão apresentando prejuízo, entre os 52 do atual portfolio da editora.

A revista Playboy era uma das destinadas a ter sua circulação interrompida logo nessa primeira leva. A Contigo, tradicional revista de resenha de novelas e fofocas, seria negociada com a editora argentina Caras. No entanto, a reação do mercado publicitário desencorajou o movimento, que seria visto como uma desmoralização para o perfil imponente da empresa. Além disso, as contas sobre acordos de anúncios já fechados seriam colocadas em risco.

O presidente executivo do grupo, Fábio Barbosa, é outro que está indeciso. Sabe, na ponta do lápis, que é preciso reduzir custos e até mesmo fechar revistas, necessitando realizar uma economia anual de R$ 100 milhões, mas igualmente já reconhece o quanto isso pode custar à imagem da empresa. Na dúvida, ele tem preferido esperar por cortes mais bruscos. Enquanto isso, fazendo caixa e com verba grossa para comprar, o presidente da Abril Educação, Manuel Amorim, é a estrela em ascensão.

 

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