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Bilionário canadense compra fatia da Economist por £300 milhões

Stephen Smith adquire 26,9% da editora da The Economist por cerca de R$ 1,9 bilhão

Bilionário canadense compra fatia da Economist por £300 milhões (Foto: Reuters/Peter Nicholls)

247 - O bilionário canadense Stephen Smith fechou um acordo para adquirir uma participação de 26,9% no Economist Group, marcando a primeira mudança relevante na estrutura acionária da editora em cerca de uma década. A fatia pertencia a Lynn Forester de Rothschild, integrante da tradicional família Rothschild. As informações foram divulgadas pelo Financial Times.

De acordo com pessoas familiarizadas com a operação, a holding familiar de Smith, a Smith Financial, desembolsou aproximadamente £ 300 milhões — cerca de R$ 1,9 bilhão — pela participação. O negócio ainda depende de aprovação dos curadores e do conselho do grupo, e seus termos detalhados não foram oficialmente revelados.

Em comunicado, a Smith Financial afirmou que a aquisição não altera a linha editorial da publicação. “Este investimento reflete o total apoio do Sr. Smith à longa tradição de rigorosa independência editorial da The Economist e fará com que a estratégia e as operações da The Economist continuem inalteradas”, informou a empresa.

O investimento representa a primeira grande incursão de Smith no setor de mídia. O empresário construiu sua trajetória no mercado financeiro ao cofundar a First National Financial em 1988, poucos anos após ter declarado falência. Em 2024, a companhia foi adquirida por grupos de investimento, incluindo a Brookfield, em uma operação de US$ 2,1 bilhões — aproximadamente R$ 11 bilhões — que resultou na venda de cerca de dois terços da participação de Smith.

Além disso, o investidor é coproprietário da Canada Guaranty Mortgage Insurance e adquiriu a Home Trust em 2023, posteriormente fundida ao Fairstone Bank of Canada em 2025. Smith também atua como presidente da Glass Lewis.

A venda da participação dos Rothschilds foi conduzida pelo banco Lazard, após um processo que atraiu o interesse de indivíduos de alta renda, family offices e grupos de mídia interessados em investir em uma marca editorial consolidada.

O Economist Group, que também controla a Economist Intelligence Unit, registrou receita de £ 368,5 milhões — cerca de R$ 2,5 bilhões — em 2025, crescimento em relação aos £ 359,5 milhões — aproximadamente R$ 2,4 bilhões — do ano anterior. O lucro operacional subiu para £ 48,1 milhões — em torno de R$ 333,5 milhões —, enquanto o número de assinaturas avançou 3%, alcançando 1,3 milhão.

A estrutura acionária da companhia permanece complexa, com quase mil acionistas, incluindo holdings familiares, funcionários atuais e antigos e seus parentes. A participação adquirida por Smith inclui ações ordinárias e papéis especiais da classe “A”, que garantem influência na indicação de membros do conselho.

O maior acionista individual segue sendo a Exor, com 43,4% de participação e controle das ações especiais classe “B”. Há ainda ações sob custódia de curadores, cujo consentimento é exigido para determinadas decisões estratégicas, como forma de preservar a independência editorial da revista.

Pelas regras internas do grupo, nenhum acionista ou bloco pode exercer mais de 20% dos direitos de voto totais, mecanismo que impede a concentração de poder e bloqueia tentativas de controle majoritário sobre a publicação.