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Cafezinho: acareação fracassa, mas isso não é problema

As contradições entre Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef "já estavam evidentes nos depoimentos. Mas não creio que isso será problema para os procuradores e delegados", escreve o blogueiro Miguel do Rosário; "Pelo jeito, as autoridades irão torturar os dois por tempo indeterminado, através de acareações repetidas até a exaustão, até que ambos concordem em tudo, claro", acrescenta ele

As contradições entre Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef "já estavam evidentes nos depoimentos. Mas não creio que isso será problema para os procuradores e delegados", escreve o blogueiro Miguel do Rosário; "Pelo jeito, as autoridades irão torturar os dois por tempo indeterminado, através de acareações repetidas até a exaustão, até que ambos concordem em tudo, claro", acrescenta ele (Foto: Gisele Federicce)

Por Miguel do Rosário, do Cafezinho

Vejam só que ridículo.

Depois de 14 fases, mais de sete meses de operação, dezenas de empresas fechadas, crise política, milhares de demitidos, as principais fontes de sustentação de toda Lava Jato discordam em quase tudo.

O que Paulo Roberto Costa fala, Youssef nega.

O que Youssef nega, Paulo Roberta fala.

As contradições entre os dois já estavam evidentes nos depoimentos.

Mas não creio que isso será problema para os procuradores e delegados.

Pelo jeito, as autoridades irão torturar os dois por tempo indeterminado, através de acareações repetidas até a exaustão, até que ambos concordem em tudo, claro.

Segundo o G1, depois de oito horas de acareação, chegou-se a "uma convergência".

Parece que essa é só a primeira etapa. Mais algumas centenas de horas de "acareação", e os procuradores serão capazes de arrancar muitas outras "convergências".

Afinal, hoje em dia, não há mais nada que uma tortura psicológica bem feita não resolva. E se isso não resolver, conversa-se com o advogado de um, com o advogado de outro, reduz-se um pouco a pena aqui, dá-se um prêmio ali, faz-se o cara ver que a imprensa está precisando de uma novidade...

Enfim, os procuradores praticamente ditam o que o réu deve dizer, e está tudo certo.

Desde que tudo seja devida e seletivamente vazado, para os órgãos certos, e que o juiz continue fazendo o papel de promotor de acusação, sem respeitar nenhum direito da defesa, tudo vai às mil maravilhas.