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Caso das joias expõe resiliência do bolsonarismo, diz Estadão

Artigo aponta que o maior desafio para o bolsonarismo não são as denúncias que envolvem Bolsonaro, mas sim o aumento da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Jair Bolsonaro (Foto: Reuters/Ueslei Marcelino | Reprodução)

247 — O jornal O Estado de S.Paulo publicou recentemente um artigo que lança luz sobre a resiliência do bolsonarismo, mesmo diante do controverso episódio das joias recebidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante seu mandato. O artigo destaca que, apesar das dúvidas que esse evento pode ter gerado entre os eleitores de Bolsonaro, sua reputação de honestidade permanece intacta para a maioria deles. Uma pesquisa realizada pela consultoria Quaest para o Banco Genial em março de 2022 revelou que 59% dos eleitores de Bolsonaro consideravam a honestidade como o fator mais importante para seu voto. Isso colocava o ex-presidente como um candidato visto como honesto, em contraposição à percepção de corrupção inventada contra o seu principal adversário político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O texto aponta que a percepção de honestidade vai além dos fatos e é fundamental para entender por que, apesar de várias crises e acusações que poderiam manchar sua imagem, Bolsonaro mantém uma base de eleitores fiel. Mesmo após conflitos públicos com seu ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, acusações de "rachadinhas", envolvimento com o caso Queiroz, orçamento secreto e aquisição de vacinas, Bolsonaro não perdeu o apoio de seus seguidores mais fervorosos. De acordo com uma pesquisa recente da Atlas, 40,5% do eleitorado brasileiro acredita que Bolsonaro está sendo alvo de uma "caça às bruxas" promovida pelo governo atual. Além disso, um terço dos entrevistados não acredita que o ex-presidente esteja envolvido no caso das joias, demonstrando uma notável resiliência do bolsonarismo, mesmo diante de adversidades.

O artigo também menciona a estratégia de Steve Bannon, conselheiro do ex-presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump, que defende a criação de um adversário tão forte que justifique qualquer ação para derrotá-lo. Isso reflete a luta contra a "modernidade" e a preservação de tradições e valores, especialmente aqueles enraizados na fé judaico-cristã, que é característica dos movimentos políticos liderados por Bolsonaro, Trump e outros líderes da extrema-direita. O texto argumenta que o caso das joias não deve impactar de forma significativa a capacidade de Bolsonaro de ser um cabo eleitoral nas eleições locais de 2024. A análise sugere que o bolsonarismo permanecerá forte, apesar das controvérsias, uma vez que outros fatores têm um impacto mais preponderante nas eleições municipais.

Finalmente, o artigo aponta que o maior desafio para o bolsonarismo não são as denúncias que envolvem Bolsonaro, mas sim o aumento da aprovação de Luiz Inácio Lula da Silva. A aceitação crescente do atual governo, impulsionada pela melhoria da economia, representa um desafio para Bolsonaro e seus apoiadores. No entanto, a aglutinação eleitoral em torno de Bolsonaro deve continuar, sustentada pelo combate ao petismo e à defesa dos “valores tradicionais”.