Como Murdoch errou

O eventual fechamento do The Daily revela apenas que o maior empresário de comunicação do mundo, o magnata australiano Rupert Murdoch, ainda não compreendeu a era digital

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Como Murdoch errou (Foto: Brendan McDermid/ REUTERS)


Leonardo Attuch _247 – Comenta-se, nos meios digitais, que o empresário australiano Rupert Murdoch, maior magnata da mídia global, estaria esperando apenas o fim das eleições norte-americanas para anunciar o fechamento do The Daily (leia mais aqui).

A tendência, dos analistas de mídia mais apressados, seria então sentenciar que jornais, para conquistar influência, devem existir também no mundo físico, impresso. E que a débâcle do The Daily, com menos de dois anos de vida e US$ 10 milhões de prejuízos acumulados, seria a prova cabal disso.

Nada mais falso. O fracasso do jornal é fruto, apenas, dos erros empresariais de Murdoch, que ainda não compreendeu a essência da era digital. Não custa lembrar que, em 2005, um ano antes da criação do Facebook, ele comprou, por US$ 580 milhões a rede social MySpace, mas não soube administrá-la. Seis anos depois, Murdoch fez uma confissão no Twitter: “Ferramos o MySpace de todas as formas possíveis.”

No caso do The Daily, os erros também foram flagrantes. Eis uma pequena lista:

1)  O jornal não existe na internet, tal qual a conhecemos – O site thedaily.com é apenas institucional e não publica notícias. Ou seja: o jornal está restrito à plataforma dos tablets, o que limita sua audiência.

2) Murdoch apostou no modelo pago – Com duas semanas de vida, o The Daily passou a cobrar por seu conteúdo, quando a experiência da internet, na ampla maioria dos casos, é gratuita e livre de qualquer tipo de cobrança. Apesar do muro de cobrança, leitores passaram a furá-lo, reproduzindo e compartilhando seu conteúdo.

3) O “The Daily” errou na escolha do nome e no ciclo de entrega das notícias – Como o próprio nome diz, “The Daily” significa “O Diário”, quando o ciclo de consumo de informação na internet é 24/7, 24 horas por dia, sete dias por semana. O produto de Murdoch entrega seu conteúdo no mesmo momento em que um jornal em papel chegaria à casa de um cidadão. E faz raríssimas atualizações durante o dia.

No livro “Free – The Future of a Radical Price”, o escritor Chris Anderson sentenciou: “Information wants to be free”. Esta é a grande verdade. No século XXI, a informação não apenas quer ser gratuita, como também clama para ser compartilhada entre amigos, nas redes sociais.

Empresários como Murdoch fracassam na era digital porque pensam com a cabeça do século XX. Vivem no tempo da relação vertical, de cima para baixo, com seus leitores. No mundo de hoje, no entanto, esta relação deve ser horizontal. Afinal, vivemos num mundo plano e cada vez mais colaborativo.

Como responsável pelo Brasil 247, o segundo jornal desenvolvido para o iPad e outras plataformas digitais no mundo, mas o primeiro gratuito, o que tenho a dizer é muito simples: já alcançamos o ponto de equilíbrio financeiro e temos muitos anos de vida pela frente. E nossa aposta está mantida: o futuro, cada vez mais presente, é online e é grátis.

PS: O The Daily, com sua cultura fechada, possui 14 mil fãs no Facebook. O 247, com seu modelo aberto e compartilhável, já tem 36 mil e irá muito mais longe.

 

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