Compras coletivas decepcionam

Aumenta o nmero de cadastrados para comprar em sites, mas nem todos os consumidores esto satisfeitos com os produtos e servios adquiridos

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Natalia Emerich _ Brasília 247 – Sites de compras coletivas com descontos estratosféricos estão em ascensão no Brasil. Pagar menos, porém, pode frustrar o consumidor. É preciso critérios e muito cuidado na hora de escolher a oferta, para não se arrepender no futuro. Pesquisa do site e-bit com a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico feita de março a abril aponta que em menos de dois anos o País soma mais de 1,2 mil sites de compras coletivas em operação ou fase de lançamento.

As ofertas diárias estabelecem um número mínimo de compradores. Quando a meta é atingida, os interessados podem retirar os cupons promocionais e usufruir os descontos, que chegam a 90%. Para a servidora pública Luciana Borges, de 25 anos, a alegria durou pouco. Seu descontentamento com produtos e serviços comprados cresceu proporcionalmente ao número de cupons. "Resolvi dar um tempo nas promoções quando comprei um banho de lua – descoloração dos pelos – e saí de lá completamente loira", conta Luciana, cuja pele é morena e os cabelos escuros.

A engenheira agrônoma Carolina Ferreira, de 29 anos, angariou cupons, no site Peixe Urbano, para se embelezar. Escova progressiva, corte de cabelo e unhas. Ao chegar ao salão, entretanto, ela foi mal atendida. Ao reclamar, saiu do estabelecimento às pressas, tamanho o constrangimento por ser xingada. Incrédula com o episódio, mandou e-mail para o site. A resposta do grupo foi eficiente. "Foram receptivos comigo, devolveram o meu crédito e se comprometeram a investigar."

Segundo a diretora do Peixe Urbano, Letícia Leite, casos assim são isolados e há controle rigoroso na seleção das empresas parceiras. "Cada cidade tem uma equipe de representantes responsáveis por identificar os lugares e estruturar ofertas vantajosas tanto para o estabelecimento quanto para os usuários", afirma.

Sem lei

O diretor do Instituto de Defesa do Consumidor do Distrito Federal (Procon-DF), Oswaldo Moraes, explica que não há regulamento específico para compras coletivas na internet. Entretanto, "se houver relação de consumo, remunerada, entre o fornecedor de produtos e serviços e o consumidor, o cliente não pode ser lesado de modo algum". Nesses casos, o Procon-DF pode agir, o que até agora não ocorreu.

Empresários que investiram nesse novo canal de vendas também já tiveram experiências ruins. É o caso de Joi Antunes, 29 anos. Dono de um restaurante em Taguatinga, ofertou seus produtos e serviços em experiência que pretende não repetir. "O acordo com o site não foi cumprido, a clientela que vem é menos educada, costuma não voltar e ao final você recebe, em média, só 25% do valor do item promocional", ressalta Antunes. "É muito bom para o consumidor, fantástico para o site e péssimo para o comerciante."

Apesar dos problemas já identificados por alguns compradores, as redes de ofertas na web tendem a se expandir e mudar ainda mais o perfil do comércio. O presidente da Federação do Comércio de Bens e Serviços do Distrito Federal (Fecomércio), Adelmir Santana, explica que a adaptação por parte dos lojistas aos novos modelos é fundamental para sua manutenção. "É preciso inovação e estratégias diferenciadas para competir no mercado, os que têm visão de futuro seguem."

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