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Constantino: "mulher direita" corre menos risco de estupro

Blogueiro de Veja.com tem uma sugestão para conter a violência contra a mulher; "seria recomendável, sim, que as moças apresentassem um pouco mais de cautela, mostrassem-se um tiquinho só mais recatadas, e preservassem ligeiramente mais as partes íntimas de seus corpos siliconados. Não tenho dúvidas de que “garotas direitas” correm menos risco de abuso sexual", diz ele; jornalista Nana Queiroz protestou ontem contra essa visão de mundo

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Blogueiro de Veja.com tem uma sugestão para conter a violência contra a mulher; "seria recomendável, sim, que as moças apresentassem um pouco mais de cautela, mostrassem-se um tiquinho só mais recatadas, e preservassem ligeiramente mais as partes íntimas de seus corpos siliconados. Não tenho dúvidas de que “garotas direitas” correm menos risco de abuso sexual", diz ele; jornalista Nana Queiroz protestou ontem contra essa visão de mundo (Foto: Leonardo Attuch)
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247 - Numa campanha contra o estupro, a jornalista Nana Queiroz fez um protesto em que tirou a roupa diante do Congresso Nacional. Foi a forma em que se expressou sua indignação contra uma pesquisa do Ipea que aponta que alguns homens avaliam que mulheres de roupas curtas merecem ser violentadas. Ao comentar a mesma pesquisa, o blogueiro Rodrigo Constantino, de Veja.com, afirmou que "mulheres direitas" correm menos riscos de ser atacadas. Leia abaixo:

O estupro é culpa da mulher seminua? Não! Mas…

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Uma pesquisa do Ipea, divulgada pelo GLOBO hoje, mostra que muitos brasileiros pensam que o estupro é “merecido” quando as mulheres se comportam “mal”, abusam nas roupas curtas, etc. São respostas assustadoras, que denotam um atraso civilizatório. Diz a reportagem:

“Se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”. Ao ler essa afirmação em um questionário do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 58,5% dos 3.810 entrevistados concordaram totalmente ou parcialmente com a frase. O dado aparece no estudo Tolerância social à violência contra as mulheres, realizado pelo Sistema de Indicadores de Percepção Social e divulgado nesta quinta-feira.

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Realizada entre maio e junho de 2013, a pesquisa aponta ainda que, para 42,7% dos entrevistados, mulher com roupa que mostra o corpo merece ser atacada. Além disso, 63% concordaram, total ou parcialmente, que “casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família”. E mais: 89%, somando aqueles que concordaram totalmente e parcialmente, disseram concordar que “a roupa suja deve ser lavada em casa”. O percentual dos que acreditam que “em briga de marido e mulher não se mete a colher” também foi alto: 82%.

O Brasil precisa evoluir e muito ainda. Ao menos a imensa maioria acha que o homem que bate na mulher deve ser preso. Menos mal. Mas essa mentalidade que culpa a própria vítima pelo estupro é absurda, chocante. É análoga àquela que culpa o rico pelo seqüestro ou assalto, como se a própria desigualdade em si desse o direito de o ladrão roubar.

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Dito isso, e deixando bem claro que nada justifica estupro ou assalto, podemos ser realistas e compreender que, se a ocasião não faz o ladrão, ao menos pode estimulá-lo. Veja bem: Sakamoto cai no ridículo quando culpa o dono do carro pelo assalto, apelando para o sensacionalismo de esquerda; mas eu não iria com o Porsche que (infelizmente) não tenho para a Rocinha desfilar.

Quando o apresentador Luciano Huck teve seu Rolex roubado, muita gente da esquerda usou exatamente o mesmo discurso: quem mandou ostentar em um país pobre? Argumento ridículo, como o de Sakamoto, e como esses todos que condenam a moça estuprada pelo estupro, por causa de sua roupa curta. Mas eu tampouco iria com o Rolex de ouro que (infelizmente) não tenho para a favela da Maré.

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O que quero dizer com isso? Que ninguém tem o direito de estuprar ou roubar, que ninguém “merece” passar por isso, e que a vítima não pode ser transformada em culpado; mas que, feita essa ressalva importante, seria bom manter o realismo e compreender que, nem por isso, devemos dar tantas chances ao azar.

Há estudos e pesquisas, como já comentei aqui, mostrando correlação entre a revolução sexual e o aumento nos casos de estupro. E não é um fenômeno brasileiro, mas mundial. Sexualidade cada vez mais precoce, funk estimulando a vulgaridade, mulheres provocativas rebolando seminuas até o chão, tudo isso atrai estupradores como moscas ao mel.

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Reconhecer essa obviedade não é o mesmo que culpar a mulher pelo estupro. Claro que não. É apenas ser realista a ponto de atestar que, dado o ambiente pré-civilizatório em que ainda vivemos, tudo isso acaba estimulando o crime, da mesma forma que um desfile com Rolex nas favelas cariocas faria (a menos que te confundam com o traficante do pedaço).

Vou afirmar uma coisa muito chocante ao leitor: o Brasil não é a Suíça! Algum grau de adaptação por vivermos no país dos “malandros”, que criaram um país de otários, precisa ocorrer. Defendo maior punição aos criminosos como principal instrumento de combate ao crime, seja assalto, seja estupro. Mas não dá para negar a influência cultural.

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Qual a saída? Colocar burca nas mulheres? Deus nos livre da maldição islâmica! Seria como pregar a solução sakamoteana para combater o crime: abandonar os nossos bens materiais (sendo que ele não abandona seu MacBook da Apple, pois ninguém é de ferro). Seria a vitória dos bandidos.

Isso não nos impede, todavia, de constatar que a licenciosidade e a libertinagem crescentes têm colaborado como estimulante para os tarados em potencial. Junte-se a isso a cultura machista e o ambiente de impunidade, e temos o quadro perfeito para a desgraça.

Enquanto a cultura do machismo não desaparece, e a punição exemplar não vem, seria recomendável, sim, que as moças apresentassem um pouco mais de cautela, mostrassem-se um tiquinho só mais recatadas, e preservassem ligeiramente mais as partes íntimas de seus corpos siliconados. Não tenho dúvidas de que “garotas direitas” correm menos risco de abuso sexual.

Vou apelar para o reductio ad absurdum na esperança de deixar meu ponto ainda mais claro: a mulher que vai a um canteiro de obras no final do expediente, começa a rebolar até o chão dançando “na boquinha da garrafa” seminua, acha que exerce alguma influência no risco de descontrole sexual de algum potencial tarado no local, ou não?

Voltando à minha analogia para fechar, eu não faria um banquete diante de uma legião de famintos. E tenho certeza de que os colegas de esquerda também não. Tanto é que costumam degustar de seu caviar com champanhe isolados em suas coberturas ou mansões, distantes dos olhares de cobiça daqueles que juram defender…

PS: Agora, como o jornalista José Maria me lembrou, por que diabos um instituto de “pesquisa econômica aplicada” precisa fazer este tipo de pesquisa social, altamente subjetiva, cuja resposta pode variar muito dependendo da forma com a qual é feita a pergunta? Parece algo indutor de conflito social, típico do governo do PT mesmo, que adota a máxima “dividir para conquistar”.

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