Criador do termo “petralha” hoje é chamado de… petralha!

"Um amigo me chama atenção para uma dessas ironias poéticas da vida sobre as quais vale sempre refletir. O autor do termo 'petralha', por interesses próprios teve que se colocar contra a opinião da manada de animais que insuflou contra o PT e, hoje, virou 'petralha' também", diz texto no Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães; "Não dá para deixar de dizer que, ao lado de gente como Aécio Neves e da própria Veja, que o abrigava porque ele dizia o que a publicação queria, Azevedo ajudou a produzir o clima de ódio que se apoderou do Brasil"

Jornalista Reinaldo Azevedo
Jornalista Reinaldo Azevedo (Foto: Leonardo Lucena)

Blog da Cidadania - Um amigo me chama atenção para uma dessas ironias poéticas da vida sobre as quais vale sempre refletir. O autor do termo “petralha”, por interesses próprios teve que se colocar contra a opinião da manada de animais que insuflou contra o PT e, hoje, virou “petralha” também.

Não escrevo para espezinhar o Reinaldo Azevedo. Aliás, quando fui alvo de arbitrariedade de Sergio Moro ele esteve entre os críticos do abuso que sofri.

Muitos me disseram que não o fez por bondade, mas porque sabia que havia qualquer coisa envolvendo o seu nome e poderia vir a sofrer o mesmo. E, também, porque a turma política dele (a tucanada) estava na mira.

Não me importa. Ele ficou do lado certo. Se foi por interesse próprio, não tenho como afirmar.

Porém, não dá para deixar de dizer que, ao lado de gente como Aécio Neves e da própria Veja, que o abrigava porque ele dizia o que a publicação queria, Azevedo ajudou a produzir o clima de ódio que se apoderou do Brasil de uma forma tão abrangente que não se consegue mais dizer um A sobre nenhum assunto polêmico sem arrumar encrenca feia.

É muita ironia. Lembro-me de quando Reinaldo Azevedo comemorou a “dicionarização” do termo “petralha”, que ele afirma que cunhou (não no sentido de aderir a Eduardo Cunha, o que Reinaldo fez no passado recente) por causa da morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel

Foi um dicionário desconhecido que se dedica a catalogar termos curiosos do idioma, mas ele fez a maior festa.

A ascensão e queda de Reinaldo Azevedo se deu justamente por ele nunca ter se dado conta que ele só ascendeu porque concordou com gente poderosa, mas da qual jamais poderia discordar.

Reinaldo foi útil enquanto servia a um antipetismo furibundo, energúmeno, irracional e suicida, porque prega a destruição do Estado de Direito em prol de um ódio conjuntural, porque o PT passa, Lula passa, mas o ódio e o desprezo pelos direitos civis fica.

Nesta tarde gelada de sábado, em um mês de julho particularmente congelante no Sudeste  brasileiro, fica a lição. Sobretudo para os animais que vêm a esta página todo dia insultar a mim, minha família, meu trabalho e/ou os leitores que me acompanham por concordar com meus pontos de vista.

O mundo dá voltas, meus caros. Não comemore a desgraça alheia.

Quero contar uma história recente. Membros de uma família com a qual mantenho relações, mas que divergem profundamente de  minha visão política – são reacionários – comemoraram minha condução coercitiva  pela PF e duas dessas pessoas vieram me afrontar afirmando que eu acabaria preso.

Foi doloroso, naquele momento. Minha família estava desesperada e eu abalado com a violência injusta que sofri. Bem, passaram-se duas semanas e um membro dessa família foi alvo de uma prisão injusta, arbitrária. E não foi por algumas horas. Passou uma noite inteirinha na cadeia.

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