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Cruvinel sobre Bolsonaro: quem esperava moderação, encontrou palanque

Ao comentar os discursos do novo presidente na cerimônia de posse, a jornalista Tereza Cruvinel afirma que "quem esperava um Bolsonaro moderado como presidente encontrou foi o candidato em plena liça. Quando tudo virar realidade, ninguém pode dizer que não sabia. Estamos avisados"; ela ainda afirma que "palanque mesmo virou o parlatório do Planalto, onde os discursos sempre foram mesmo mais emotivos, mas nunca tão beligerantes"

Cruvinel sobre Bolsonaro: quem esperava moderação, encontrou palanque

247 - Em sua coluna no Jornal do Brasil, a jornalista Tereza Cruvinel fez uma análise da posse e discursos de Bolsonaro. "Ele falou como quem segue no palanque, fustigando adversários e prometendo combate, apesar de uma promessa paradoxalmente perdida no conjunto: a de "construir uma sociedade sem discriminação ou divisão".

"No Congresso o discurso foi mais institucional, como é de praxe, mas não livre do tom messiânico e belicoso, que ficou mais agudo e estridente na fala ao povo no parlatório do Planalto: definiu sua posse como "o dia em que o povo começou a se libertar do socialismo, da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto. O socialismo então passou por aqui e só ele viu". 

Cruvinel aponta que "palanque mesmo virou o parlatório do Planalto, onde os discursos sempre foram mesmo mais emotivos, mas nunca tão beligerantes. Sobraram farpas para o Congresso, com a lembrança de que formou um governo de técnicos, 'sem conchavos ou acertos políticos'. Vamos ver no que dará essa nova forma de governar ao largo dos partidos"

"Depois de algumas referências aos que derrotou, tomou a bandeira que providencialmente estava a seu alcance para dizer, parece que improvisando, como numa declaração de guerra: 'esta é a nossa bandeira, que jamais será vermelha. Só será vermelha se for preciso o nosso sangue para mantê-la verde e amarela'. "Quem esperava um Bolsonaro moderado como presidente encontrou foi o candidato em plena liça. Quando tudo virar realidade, ninguém pode dizer que não sabia. Estamos avisados", conclui a jornalista.