Decisão do TSE a favor de Temer é destaque na mídia europeia

Grandes jornais europeus, como o alemão Süddeutsche Zeitung, o britânico Financial Times e o francês Le Monde destacaram o resultado do julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer pelo TSE que conformou a permanência de Temer no poder a despeito das provas e do desejo da maioria da população; Süddeutsche Zeitung destaca as argumentações usadas pela Corte para absolver Temer - onde Temer chegou a ser comparado a Jesus - e diz que o processo é quase uma "Divina Comédia"; Financial Times destaca que Temer ainda enfrenta "uma investigação criminal" e o Le Monde diz que o TSE "optou pelo status quo" e que o "Brasil está marcado pela instabilidade"

Tribunal Superior Eleitoral, TSE, ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux, Herman Benjamin e Rosa Weber
Tribunal Superior Eleitoral, TSE, ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux, Herman Benjamin e Rosa Weber (Foto: Paulo Emílio)

DW Brasil - Imprensa diz que, ao absolver chapa Dilma-Temer em julgamento à la "Divina Comédia", juízes preferem se isolar da realidade e "não ver o que é óbvio". Presidente ainda tem outros desafios pela frente, destacam jornais.

Süddeutsche Zeitung, Alemanha – "Divina comédia"

No ponto mais absurdo de um processo absurdo, o juiz Napoleão Nunes Maia comparou o presidente brasileiro, Michel Temer, a Jesus – e si próprio, a Pôncio Pilatos. Este homem "sábio, mas fraco" deixou que um inocente fosse pregado na cruz "porque a multidão assim o queria", disse Nunes Maia em sua declaração, com a qual justificou seu voto pela absolvição de Temer. Jesus, Pôncio Pilatos e Napoleão – não é de se admirar que a maioria dos observadores desse processo do TSE o tenham interpretado apenas como mais um ato de um interminável teatro político.

A multidão, ou exprimindo mais educadamente, o povo brasileiro realmente não teria nada contra caso Temer fosse realmente retirado do cargo. Seus números nas pesquisas se estabilizaram no subsolo desde que ele substituiu, em 2016, a presidente eleita Dilma Rousseff em um golpe parlamentar disfarçado de impeachment.
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Críticos dizem que o processo correu segundo o princípio do avestruz. O tribunal não quis ver o que é óbvio, preferindo enterrar a cabeça na areia. Na mídia brasileira, se fala em um jogo de cartas marcadas. O presidente do TSE, Gilmar Mendes, descreve-se publicamente como um amigo de Temer; Nunes Maia está, ele mesmo, comprometido por delações; e os outros dois juízes que votaram a favor da absolvição do presidente foram nomeados pelo réu há poucas semanas.

Financial Times, Inglaterra – Perdão para Temer, mas desafios permanecem

A decisão do tribunal, conhecido como TSE, fechou um processo de longa duração, que começou antes do impeachment, baseado na alegação de que a campanha de Dilma Rousseff nas eleições de 2014 usou financiamento ilegal [...] O tribunal de sete membros decidiu por 4 a 3 que não havia provas suficientes para condenar a chapa Rousseff-Temer.
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Mas Temer ainda enfrenta uma investigação criminal potencialmente devastadora e – analistas alertam – uma batalha para manter sua coalizão de governo unida e o impulso de um ambicioso programa de reforma destinado a ajudar a resgatar a maior economia da América Latina da sua pior recessão da história.

Le Monde, França – Presidente brasileiro evita, por pouco, a destituição

Considerado politicamente morto, o presidente brasileiro, Michel Temer, garantiu a sobrevivência nesta sexta-feira, 9 de junho. Após quatro dias de debates marcados por ofensas educadas, os juízes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de Brasília, decidiram por uma estreita maioria (quatro contra três) não cassar o mandato do chefe de Estado, o que provocou a amargura de parte do país.
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A votação no TSE ocorreu num contexto perturbado pela revelação, em meados de maio, de conversas embaraçosas entre Temer e Joesley Batista, um riquíssimo empresário e corruptor notório de Brasília. O conteúdo da conversa, gravada sem o conhecimento do presidente, levou à abertura de uma investigação no Supremo Tribunal por "obstrução da justiça", "participação em organização criminosa" e "corrupção passiva".

Fingindo serenidade, o TSE se isolou dessa atualidade. Preocupados com a ética, mas perturbados pela responsabilidade de mergulhar o país em um buraco negro político, os juízes, febris – um deles evocou Pôncio Pilatos ao decidir crucificar Jesus – optaram pelo status quo, dando fim ao entusiasmo midiático-judicial das últimas semanas. O Brasil está marcado pela instabilidade.

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