Dilma acha que “bater boca” com a mídia é “perda de tempo”

Esta é a razão pela qual o governo não está se empenhando com maior contundência em desmentir a boataria terrorista midiática em relação ao setor elétrico

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Gastei boa parte da última terça-feira ao telefone em busca de informações concretas para opor à boataria em relação ao setor energético que a mídia tem promovido em lugar de fazer jornalismo sobre assunto tão vital para o país, com suas insistentes versões sobre um iminente "racionamento" de energia e "aumento" no preço das contas de luz.

De alguns dias para cá, eclodiu um bombardeio nos grandes meios de comunicação. Na mesma terça-feira, na Globo News, apresentadoras diziam sentir "muito medo" de ficarem no escuro. Os grandes jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro passaram a dar manchetes em letras garrafais tentando vender a tal iminência de "racionamento".

A reunião de janeiro do governo com diversas áreas do setor elétrico, a qual integra um cronograma de reuniões que acontecem todos os meses e que continuarão acontecendo nos meses vindouros, foi apresentada pela mídia como "reunião de emergência para tratar do risco de racionamento".

Veja, abaixo, o cronograma de reuniões ordinárias extraída do site de Luis Nassif. A reunião de janeiro foi apresentada pela mídia como "reunião de emergência".

 

Conversei com o titular de uma diretoria "de mercado" de uma grande empresa geradora de energia hidrelétrica do Sudeste que, por razões óbvias, não quer se identificar. Como a maioria dos técnicos do setor, descartou completamente qualquer possibilidade de racionamento.

Abaixo, reproduzo texto que me enviou para publicação nesta página logo após nossa conversa telefônica, sempre com a condição de não ter seu nome revelado.


Eduardo, bom dia.

Após nossa conversa, envio dois links sobre o dito "racionamento" e algumas considerações pessoais.

*

1) MANIFESTAÇÃO DO PRESIDENTE DA EPE (EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA) publicada pela Agência Brasil

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-01-08/tolmasquim-condicoes-estruturais-do-pais-afastam-risco-de-racionamento-de-energia

2) MANIFESTAÇÃO DO GRUPO CPFL (SÃO PAULO) também publicada pela Agência Brasil.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-01-08/grupo-cpfl-energia-nao-ve-risco-de-racionamento-no-pais

Apenas um esclarecimento: a EPE é a entidade criada no governo Lula da Silva, quando a presidenta Dilma era ministra das Minas e Energia. A EPE (primeiro link) tem o dever de planejar as grandes obras para o sistema elétrico nacional, a fim de que não falte energia.

A EPE foi criada para recriar esse planejamento, estilhaçado pelo governo FHC (que, diga-se de passagem, entregou o Ministério das Minas e Energia à incompentência do DEM).

O governo Fernando Henrique simplesmente acabou com o planejamento dessas grandes obras, que era feito por um Comitê coordenado pela ELETROBRÁS.

Considero o noticiário que está sendo veiculado muito prejudicial ao povo brasileiro. Isso por que esse tipo de matéria chega aos mercados externos. Esses mercados são imperfeitos, as expectativas dos investidores, por mais bem informados que os mesmos sejam, nem sempre são racionais.


Diante disso tudo, a pergunta que tem sido feita por quem está bem informado sobre a situação energética do Brasil e, portanto, não cai na boataria da mídia, vertida com objetivos políticos e econômicos, pergunta-se: por que a presidente da República não convoca rede nacional de rádio e televisão para esclarecer a sociedade?

Aí entra a busca de informações que fiz na terça-feira junto a fontes do governo Dilma. Após intermináveis ligações, consegui o telefone de pessoa com acesso à presidente que me pôde informar a razão pela qual o governo não está se empenhando com maior contundência em desmentir a boataria terrorista midiática.

Segundo me foi informado, há muito que a presidente já decidiu que "não vale a pena bater boca com a mídia". Foi-me dado exemplo dessa questão do setor elétrico. Dilma já desmentiu várias vezes o "racionamento" e a mídia, além de não dar o devido destaque às suas palavras, desmente o que diz.

A alternativa seria enveredar por um bate-boca inútil, pois os grandes veículos que tentam aterrorizar a população sempre ficam com a última palavra, já que quem formata o noticiário são eles. Assim como em outras questões, tais como o crescimento modesto do PIB em 2012, portanto, a presidente julga que é melhor deixar que os fatos desmintam a mídia.

Explico: em pouco tempo, os brasileiros receberão contas de luz mais baratas, com desconto médio de 20%, e não terá ocorrido racionamento algum. Dessa forma, quem está recebendo as tais informações de que além de racionamento haverá aumento na conta de luz, concluirá que recebeu informações falsas daqueles meios de comunicação.

Além disso, como o noticiário tem insistido no fato de que os reservatórios estão no mesmo nível de 2001 – quando o governo FHC impôs um duro racionamento ao país –, ao constatarem que, além de não haver racionamento, a energia ficou mais barata, as pessoas poderão mensurar a superioridade deste governo sobre aquele.

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