HOME > Mídia

Dilma: "eu acho que o Eduardo Cunha negociou com a Globo para ser eleito"

A ex-presidenta Dilma Rousseff, em entrevista ao DCM, disse desconfiar de um possível acordo entre o ex-deputado federal Eduardo Cunha e a Rede Globo. Para ela, Cunha combinou com a emissora para que fosse dado apoio à sua candidatura à presidência da Câmara e, em contrapartida, ele não deixaria que fossem aprovados projetos de lei ligados à regulamentação da mídia

Ex-presidente Dilma Rousseff (Foto: Ederson Casartelli)

247 - A ex-presidenta Dilma Rousseff afirmou, em entrevista ao DCM, que acredita que o ex-deputado federal Eduardo Cunha tenha negociado apoio à sua candidatura à presidência da Câmara com a Rede Globo. Para Dilma, em troca do apoio, Cunha não deixaria que avançassem projetos de lei ligados à regulamentação da mídia.

Ela ressaltou que a impresa funciona como quarto poder e que, para garantir tal força, a Rede Globo tenha se interessado pela aliança com Eduardo Cunha. "Eu acho que o Eduardo Cunha negociou com a Globo para ser eleito, neociou não deixar passar nenhum projeto que visava qualquer regulamentação da mídia. Eu desconfio isso".

Dilma também falou do papel de Cunha no golpe parlamentar de 2016, que culminou na queda da ex-presidenta. Ela explicou que havia uma ação engavetada no Supremo Tribunal Federal (STF) que poderia resultar na cassação ou prisão de Cunha. "Em dezembro de 2015 o Ministério Público já tinha recebido do Ministério Público da Suíça as contas secretas do Eduardo Cunha e enviou essas contas em um processo que pedia a suspensão, a cassação de sua atividade ou sua prisão, então tinha que pedir para o Supremo. Isso permaneceu por seis meses dormindo dentro das gavetas do Supremo".

"Isso foi um elemento responsável pelo impeachment porque o Eduardo Cunha é uma forma de pré-estreia do Bolsonaro, ele combinava uma pauta bastante fascista e ultraconservadora, que servia quando negociava emendas, segundo o próprio Ministério Público e juízes, para aumentar seu poder", disse.

Sabendo deste processo aguardando no STF, Eduardo Cunha teria, segundo Dilma, articulado a queda da ex-presidenta, de forma que o vice-presidente da época, Michel Temer, assumisse o poder e o blindasse do processo "nas gavetas do Supremo". Este processo foi classificado por Dilma como uma estratégia para "estancar a sangria".

"Havia por parte do Eduardo Cunha uma expectativa de não ser condenado  pela Comissão de Ética. Se ele não fosse condenado, o que ele supunha? Uma estratégia de estancar a sangria, me tirar do governo, assume o Temer e o Temer, com ele ainda presidente da Câmara, o protege de qualquer investigação. A ideia básica, estratégica, deles era essa. Eu tinha que sair porque ele sabia que tinha uma ação desde de dezembro no Supremo dormindo na gaveta".

"A imprensa relata que quando foram tirá-lo da presidência do Cogresso ele disse: 'por que só agora?'. É óbvio, porque já tinha feito o impeachment. A ideia dele era ganhar tempo sentado na cadeira para que o Temer assumisse e o garantisse impunidade".