É guerra: Veja manda recado cifrado ao PT

Reportagem deste fim de semana da revista Veja é o primeiro disparo diretamente relacionado às eleições presidenciais de 2014; texto sobre a agência Pepper ataca, sem nomeá-lo, o jornalista Leandro Fortes, ex-Carta Capital. "A primeira aquisição da Pepper, com vistas a 2014, fechada recentemente, foi, como era de esperar, a contratação de um conhecido e experimentado especialista em difamação" 

É guerra: Veja manda recado cifrado ao PT
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247 - Está oficialmente aberta a disputa eleitoral de 2014 e os exércitos começam a se posicionar. Neste fim de semana, a revista Veja, que tradicionalmente se alinha ao PSDB, desferiu seu primeiro ataque ao grupo que deverá atuar na campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff. Mais precisamente, ao jornalista Leandro Fortes, que deixou a revista Carta Capital e foi contratado como consultor da agência Pepper, que atua no marketing político.

Na reportagem "A alma do negócio", não assinada, Veja ataca tanto a agência como o jornalista, que, segundo a publicação, teria sido contratado para comandar uma guerra suja na internet. Termina assim o texto:

"O PT reservou 10 milhões de reais para financiar a guerra suja na internet. A primeira aquisição da Pepper com vistas a 2014, fechada recentemente, foi, como era de esperar, a contratação de um conhecido e experimentado especialista em difamação – de adversários e até de aliados que atrapalhem os planos da turma".

Embora não dê o nome do profissional, Veja se refere claramente a Leandro Fortes – a única contratação relevante da Pepper, fechada recentemente. Abaixo, texto do Comunique-se a respeito:

Leandro Fortes deixa Carta Capital para ser consultor de agência digital

Após oito anos na Carta Capital, o jornalista Leandro Fortes deixa a reportagem da revista nesta sexta-feira, 1º. A partir da próxima semana, ele prestará consultoria sobre produção de conteúdo para internet à Pepper Interativa, agência de comunicação digital com sede em Brasília.

Pelo Facebook, o repórter anunciou o novo projeto. Segundo ele, o trabalho servirá de base para, no futuro, lançar uma agência de notícias na rede pautada em “honestidade intelectual e verdade factual”.

Ontem, antes mesmo da chegada de Veja às bancas, o jornalista Augusto Nunes, que apresenta o programa Roda Viva e é colunista de Veja.com, antecipou a reportagem, que, segundo ele, envolveria ainda uma disputa entre a Pepper e o ex-ministro Franklin Martins. Leia abaixo:

Reportagem de VEJA expõe as sombras que envolvem a disputa entre a agência do PT e a tropa de Franklin Martins

Por que será que a Pepper, depois que se tornou a agência do PT para a internet, conseguiu tantos clientes no governo e em estatais? Será que o PT está usando verbas do Estado para remunerar sua agência, cujo faturamento não para de engordar? Na edição que logo estará nas mãos dos assinantes e nas bancas, VEJA mostra que, além dessas perguntas à espera de respostas imediatas, há alguns mistérios a desvendar.

Um dos mais intrigantes é a disputa entre a Pepper e o ex-ministro Franklin Martins pelo comando da guerra suja nas redes sociais que o PT pretende travar contra os adversários. Franklin não aceitou trabalhar em parceria com a Pepper. O que ele quer é chefiar sem interferências o exército das trevas recrutado para agir na internet. A posição intransigente sugere que Franklin está decidido a usar como achar melhor a tropa liberticida? Até para combater a candidatura de Dilma Rousseff?

Franklin Martins é da tribo que acha que os fins justificam os meios. Nada do que vem de figuras assim é surpreendente. São incapazes capazes de tudo ─ menos de fazer a coisa certa. Confira a reportagem de VEJA.

Leandro Fortes ainda não se pronunciou sobre a reportagem de Veja. Quando saiu de Carta Capital, fez uma despedida pública. Leia abaixo:

Despedida doída
Eu devo a CartaCapital a oportunidade de ter voltado a amar o jornalismo. Espero ter retribuído à altura
 
Em outubro de 2005, eu havia desistido do jornalismo.
 
A fúria com que a mídia havia se debruçado sobre o escândalo do “mensalão” havia, na época, iniciado uma onda de vandalismo editorial que transformara o trabalho das redações de Brasília em gincanas de uma só tarefa: derrubar o governo Lula.
 
Transformados em soldados de uma estrutura paralisante de pensamento único, os repórteres de Brasília passaram a gravitar em volta desse objetivo traçado pelo baronato da mídia sem maiores preocupações críticas. De repente, a ordem era adaptar todas as teses progressistas e de esquerda vinculadas ao governo do PT ao esgoto do “maior escândalo de corrupção da história do Brasil” e, a partir de então, iniciar a caçada a Lula e seu mandato presidencial. Fracassaram, mas não pararam de se multiplicar.
 
Assim, meia dúzia de famílias que monopolizava (e ainda monopoliza) o negócio da comunicação no País se uniu, como em 1964, para derrubar um presidente eleito pelo voto popular por meio do mesmíssimo discurso udenista de combate à corrupção agregado, a partir de uma adaptação tosca e deliberadamente manipulada, a conceitos difusos de liberdade de imprensa e liberdade de imprensa – uma armadilha retórica que perdura até hoje, cujo o objetivo continua sendo o mesmo, o de não discutir seriamente nem uma coisa nem outra.
 
Eu havia largado empregos promissores da chamada “grande imprensa” para me dedicar a dar aulas de jornalismo em uma faculdade de Brasília. Pretendia, como acabei fazendo pouco tempo depois, criar um fórum próprio de discussão e formação em jornalismo desvinculado da crescente ideologização de direita, conservadora e medíocre da mídia nacional. Assim nasceu a Escola Livre de Jornalismo, uma arena de ideias, seminários, palestras e oficinas para estudantes e jovens jornalistas em busca de contrapontos ao mau cheiro da mídia tradicional. Dediquei-me, ainda, a escrever livros e fazer palestras Brasil afora.
 
A CartaCapital entrou na minha vida, em 2005, pelas mãos da mesma pessoa que me fez vir para Brasília, em 1990, Cynara Menezes – minha amiga e contemporânea dos tempos da UFBA, minha irmã querida, jornalista brilhante, desde sempre.
 
Eu não sabia, mas ao ser indicado por Cynara para assumir o cargo de correspondente da Carta em Brasília, eu teria a chance de viver a mais importante, relevante e satisfatória experiência da minha carreira de jornalista desde que, numa tarde de maio de 1986, eu botei os pés na redação da Tribuna da Bahia, como estagiário não-remunerado, em um velho prédio coberto de fuligem do bairro da Sete Portas, nas entranhas da velha Salvador.
 
A experiência na Carta traz o traço marcante da convivência com o idealizador e a alma da revista, Mino Carta, de longe o mais importante e referencial jornalista ainda em atividade no Brasil. Eu, que já havia trabalhador para as famílias Mesquita, Sirotsky, Marinho e Nascimento Brito, não sabia o que era ter como patrão um jornalista de verdade. Fosse apenas isso, ter a oportunidade de trabalhar e conviver com um profissional da qualidade – e com a sabedoria – de Mino, a experiência na CartaCapital já teria sido um presente. Mas foi mais do que isso.
 
Nesses oito anos de CartaCapital, moldei meu espírito de repórter no combate permanente às injustiças sociais, ao moralismo seletivo e ao mau jornalismo vendido à sociedade como suprassumo do pensamento liberal, mas que é somente subproduto risível de certa escola de reportagem a serviço do que há de pior e mais reacionário no pensamento das autodenominadas elites nacionais.
 
Desde a minha trincheira, na capital federal, parti para percorrer o País a fim de ouvir quem nunca tinha sido ouvido e dar voz a quem nunca pode falar.
 
Fui, com muito orgulho, o repórter dos invisíveis.
 
Agora, de partida para outras plagas profissionais, gostaria de compartilhar com todos vocês, queridos amigos, colegas e leitores, esse meu sentimento contraditório, tão típico dos que se despendem sem a certeza de que querem mesmo ir embora.
 
Eu devo a CartaCapital a oportunidade de ter voltado a amar o jornalismo, com todas as dificuldades e sacrifícios que esse ofício tão especial nos coloca no caminho, todo dia.
 
Hoje, no meu último dia de trabalho na Carta, olho para trás e espero, sinceramente, ter retribuído à altura.

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