Eugênio Bucci: Mussolini era mais educado que Bolsonaro

Mais um profissional de imprensa assombrado com a violência desmedida no discurso de Jair Bolsonaro, o jornalista Eugênio Bucci afirma que nem o ditador Benito Mussolini, expressão máxima do fascismo, chegou a tanto; Bucci diz que Mussolini tinha mais educação verbal que Bolsonaro e comenta: "Mussolini nunca foi um liberal, mas, ao menos durante um tempo, segurava o facho. Tinha alguma educação. Podia até pensar que o primeiro dever da imprensa era elogiá-lo, mas maneirava no discurso"

Eugênio Bucci: Mussolini era mais educado que Bolsonaro
Eugênio Bucci: Mussolini era mais educado que Bolsonaro

247 - Mais um profissional de imprensa assombrado com a violência desmedida no discurso de Jair Bolsonaro, o jornalista Eugênio Bucci afirma que nem o ditador Benito Mussolini, expressão máxima do fascismo, chegou a tanto. Bucci diz que Mussolini tinha mais educação verbal que Bolsonaro e comenta: "Mussolini nunca foi um liberal, mas, ao menos durante um tempo, segurava o facho. Tinha alguma educação. Podia até pensar que o primeiro dever da imprensa era elogiá-lo, mas maneirava no discurso".

Publicado no jornal O Estado de S. Paulo, o artigo de Eugênio Bucci inicia estabelecendo alguns parâmetros técnicos para a ordem do discurso: "em política, palavras são atos. Falar é fazer. A liderança política age na linguagem e, pela palavra, agrega ou divide seus pares e seus seguidores. Disso sabemos, certo? Talvez não. Apoiadores de Bolsonaro (refiro-me àqueles minimamente ilustrados) desprezam as palavras dele. Acham que seus pronunciamentos infamantes não têm importância. Acham que poderão controlá-lo depois de eleito, que farão dele um fantoche a serviço das causas liberais. Estão enganados".

Bucci se espanta com a virulência e falta de noção do ex-militar: "ainda que seja tarde, olhemos, uma vez mais, para as palavras do deputado. No domingo, num discurso transmitido por celular em que ele se dirigiu, à distância, a manifestantes de rua, ele disparou novas saraivadas de descalabros. Alguns repetidos, alguns novos. O tom não é o de um candidato a presidente de uma República democrática, mas o de alguém que se lança como futuro senhor de todos os poderes, com atribuições plenas de fazer leis, de aplicá-las e depois executar as penas, de banir quem quiser e de prender quem bem entender".

E cita algumas passagens assustadoras: "em outra passagem, roga sua condenação prévia contra o que vem chamando grosseiramente de 'ativismo': 'Bandido do MST, bandido do MTST, as ações de vocês serão tipificadas como terrorismo! Vocês não levarão mais o terror ao campo ou à cidade. Ou vocês se enquadram e se submetem às leis, ou vão fazer companhia ao cachaceiro lá em Curitiba!'."

Bucci define a decompensação verbal de Bolsonaro como "transe de onipotência" e segue descrevendo os abusos: "[ele] anuncia que seu adversário nesta eleição também será preso. Dirigindo-se a Lula, que 'vai apodrecer na cadeia', assegura: 'Aguarde, o Haddad vai chegar aí também. Mas não será para visitá-lo, não. Será para ficar alguns anos ao seu lado. Já que vocês se amam tanto, vocês vão apodrecer na cadeia'."

 

 

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