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Fakenews do jornalismo tradicional é alvo de crítica pública de ombudsman

A ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, Paula Cesarino Costa, critica a cobertura da Folha em torno do drama familiar do cantor João Gilberto; diz que a prospecção de informações via vizinhos e conhecidos beira o amadorismo e que, uma vez descoberta as falsas informações pelos próprios leitores, o jornal se explicou “de modo oblíquo e com constrangimento”, só 21 dias depois das informações inverídicas terem ido às suas páginas

A ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, Paula Cesarino Costa, critica a cobertura da Folha em torno do drama familiar do cantor João Gilberto; diz que a prospecção de informações via vizinhos e conhecidos beira o amadorismo e que, uma vez descoberta as falsas informações pelos próprios leitores, o jornal se explicou “de modo oblíquo e com constrangimento”, só 21 dias depois das informações inverídicas terem ido às suas páginas (Foto: Gustavo Conde)

247 – A ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, Paula Cesarino Costa, critica a cobertura da Folha em torno do drama familiar do cantor João Gilberto. Diz que a prospecção de informações via vizinhos e conhecidos beira o amadorismo e que, uma vez descoberta as falsas informações pelos próprios leitores, o jornal se explicou “de modo oblíquo e com constrangimento”, só 21 dias depois das informações inverídicas terem ido às suas páginas.

Cesarino compara a cobertura em torno de João Gilberto à fetiche jornalístico da célebre matéria de Gay Talese à Fank Sinatra, publicada em 1966 na Revista “Esquire”, em que Talese narra o seu próprio fracasso em entrevistar o maior cantor norte-americano, àquele momento gripado e recluso.

Talese, no entanto, traça assim um perfil magistral do cantor, uma vez que – é óbvio – tinha talento literário e jornalístico para isso. A ombudsman, através dessa associação, formula a seguinte hipótese: todo jornalista gostaria de ser o Gay Talese brasileiro, só que, na pressão das redações, acabam apenas por levarem fakenews às editorias, processo que parece estar em curva ascendente.

Cesarino menciona o jornal O estado de S. Paulo como agente similar de propagação de fakenews. Destaca que, tanto o jornal da família Mesquita quando o jornal da família Frias basearam suas matérias sobre João Gilberto a partir de relatos de vizinhos e comerciantes. É quase a própria usina encarnada de boatos e fantasias.

A ombudsman termina sua coluna deste domingo afirmando: “é um exemplo da dificuldade do jornal de assumir erros, de corrigi-los de imediato e de forma clara, sem descuidar do maior patrimônio que possui, sua credibilidade. Jornalistas não lidam bem com fracassos.”

Leia a coluna da ombudsman aqui.