Feminismo de ocasião que hoje ataca Lula nunca defendeu Marisa

"Onde estava a sororidade das jornalistas e dos jornalistas da grande mídia quando Marisa faleceu em decorrência de todo esse processo político, jurídico e midiático que a Lava Jato criou? Não só não houve apoio como o assunto pareceu proibido", diz a jornalista Cíntia Alves sobre os ataques da mídia ao depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro; "O feminismo (de ocasião) se recolheu, ainda, quando delatores passaram a dizer que Marisa pediu reforma em sítio, mas era segredo. Pediu reforma em triplex, mas era segredo. Pediu terreno para Instituto Lula, mas era segredo. Ninguém presenciou a renião, só o delator e Marisa", afirmou

"Onde estava a sororidade das jornalistas e dos jornalistas da grande mídia quando Marisa faleceu em decorrência de todo esse processo político, jurídico e midiático que a Lava Jato criou? Não só não houve apoio como o assunto pareceu proibido", diz a jornalista Cíntia Alves sobre os ataques da mídia ao depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro; "O feminismo (de ocasião) se recolheu, ainda, quando delatores passaram a dizer que Marisa pediu reforma em sítio, mas era segredo. Pediu reforma em triplex, mas era segredo. Pediu terreno para Instituto Lula, mas era segredo. Ninguém presenciou a renião, só o delator e Marisa", afirmou
"Onde estava a sororidade das jornalistas e dos jornalistas da grande mídia quando Marisa faleceu em decorrência de todo esse processo político, jurídico e midiático que a Lava Jato criou? Não só não houve apoio como o assunto pareceu proibido", diz a jornalista Cíntia Alves sobre os ataques da mídia ao depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro; "O feminismo (de ocasião) se recolheu, ainda, quando delatores passaram a dizer que Marisa pediu reforma em sítio, mas era segredo. Pediu reforma em triplex, mas era segredo. Pediu terreno para Instituto Lula, mas era segredo. Ninguém presenciou a renião, só o delator e Marisa", afirmou (Foto: Aquiles Lins)
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Cíntia Alves, Jornal GGN - Quem teve a oportunidade de visualizar as capas dos principais jornais impressos, nesta quinta-feira (11), pôde identificar um esforço sincronizado de veículos da grande mídia para estabelecer uma narrativa hegemônica que pudesse reduzir quase cinco horas de depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro à uma derrota do petista.

Lula teria recorrido ao "não sei de nada" desgastado pelo Mensalão e jogado a culpa do triplex no colo de dona Marisa, dizem as manchetes dos jornalões, em letras garrafais. Como se a democratização das informações pela internet ainda permitisse esse tipo de manipulação.

Certo é colocar Lula como o marido que se aproveitou da morte da esposa para sair pela tangente em relação ao triplex motivou algumas manifestações vergonhosas publicadas. Três delas estão no Estadão, travestidas de jornalismo, mas subestimam a inteligência do leitor.

Primeiro, uma entrevista com o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, do time da Lava Jato, que aproveitou a onda midiática que explora as falas de Lula para dizer que: "Infelizmente, as afirmações em relação à dona Marisa a responsabilizando por tudo é um tanto triste de se ver feitas nesse momento, até porque, como o ex-presidente disse, ela não está aí para se defender."

 

Fica a pergunta: quem arrastou dona Marisa para esta ação penal foi Lula ou a força-tarefa do Ministério Público Federal?

Lula não jogou apartamento no colo de Marisa como se ela não tivesse tido participação ativa no enredo contado pelos próprios procuradores da Lava Jato.

O nome da ex-primeira-dama consta na aquisição de uma cota parte de um dos empreendimentos da Bancoop no litoral paulista, cota esta que está na raíz do caso triplex.

Marisa era a compradora oficial, não Lula.

Foi ela quem pediu ressarcimento na Justiça quando não quis mais um imóvel do projeto posteriormente tocado pela OAS. 

Também foi Marisa quem visitou duas vezes o triplex, uma ao lado de Lula, que disse a Moro que o espaço era "inadequado para a família" e, por isso, ele não apoiava a compra. Se Marisa ainda pensava em comprar, disse Lula, é "possível" que ela tivesse a intenção de "fazer negócios", ou seja, revender o triplex.

Tudo isso consta na segunda parte do depoimento de Lula, publicado pelo próprio Estadão.

 

Em um segundo texto, a jornalista Eliane Cantanhêde escreveu"Lula jogou o apartamento no colo da mulher dele, que já morreu e agora está no centro da Lava Jato. Marisa Letícia é quem estava interessada no triplex (para investimento?) e Lula só soube depois que ela tinha ido lá com o filho, mesmo depois da desistência da compra. Essas mulheres..."

 
 
Cantanhêde precisaria ser apresentada ao vídeo abaixo. Nele, a partir dos 10 minutos, vê-se a insistência de Moro em interrogar Lula sobre inúmeros documentos e datas de decisões tomadas por Marisa. Incomodado com a enxurrada de questões que não tinha como esclarecer sozinho, Lula fez um apelo ao juiz:
 
Lula: Doutor Moro, é muito dificil para mim toda hora o senhor citar minha mulher sem ela estar aqui para se defender. É muito dificil...
 
Moro: Não, eu não estou acusando ela de nada, senhor ex-presidente...
 
Lula: Eu sei que não está acusando, mas pergunta muita coisa dela, se eu vi, se eu não vi... 
 
Moro: É que o documento está assinado por ela.
 
Lula: É uma pena que... uma das causas que ela morreu foi a pressão que sofreu. E eu não quero nem discutir isso aqui. Mas quando se tratar dela, peço que o senhor... [faz sinal para se segurar]
 
 
 
 
O FEMINISMO DE OCASIÃO
 
Também do Estadão, a jornalista Vera Magalhães publicou sua opinião sobre a faceta machista do depoimento de Lula, no Facebook, na mesma noite em que os vídeos foram disponibilizados pela Vara Federal de Moro à imprensa.

Em "Mulher emerge como investidora", ela sustentou que Lula "recorreu à dona Marisa para deixar sob sua responsabilidade toda a transação do imóvel. As inconsistências da defesa e o truque de terceirizar para alguém que morreu e, assim, não é mais parte do processo não parecem ser um caminho jurídico seguro para alguém que tem um séquito de advogados à disposição e armou um circo político para posar de vítima de perseguição."

No comentário que fez à rádio Joven Pan, Vera foi além em sua tese sobre dona Marisa não poder ter comprado o triplex sozinha. E, para isso, deixou a veia feminista em casa:

"Essa coisa da Marisa investidora, não para de pé. Eu cobri durante 10 anos política em Brasilia. Repórter, circulando pelo Palácio do Planalto, trabalhando pela Folha de S. Paulo e pela revista Primeira Leitura. Não foram as vezes que procurei pessoas como André Singer ou Franklin Martins, que eram secretários de imprensa na época, e pedi entrevistas ou ter contato com dona Marisa e fazer um perfil. Qual era a resposta sempre qualquer jornalista que cobriu o poder pode atestar? A dona Marisa não fala, dona marisa é reclusa, ela gosta de cuidar dos netos, ela gosta de cozinhar, ela gosta de cuidar do jardim. É disso que ela gosta."
 
E continuou:
 
"Naquele próprio comício que Lula fez no velório da mulher, impróprio, ele também descreveu uma mulher que começou a trabalhar como empregada doméstica, que ficava em casa, que dizia pode ir cuidar da política cuidar do brasil, que eu cuido aqui da retarguada. nunca foi pintada como alguém que tinha respsabilidade pelos investimentos da familia. Esse personagem é totalmente novo, criada sem que possa sem se defender, dizer que aquilo é verdade ou não. Do ponto de vista de um marido, um homem, é pusilânime. Do ponto de vista da defesa, é um absurdo jurídico."
 
Confrontada por uma usuária do Twitter, "militante petista", sobre a visão errada sobre Lula e Marisa, Vera respondeu que, "por sororidade", não iria chamar a leitora de "retardada". 

Sororidade.

Onde estava a sororidade das jornalistas e dos jornalistas da grande mídia quando Marisa faleceu em decorrência de todo esse processo político, jurídico e midiático que a Lava Jato criou? Não só não houve apoio como o assunto pareceu proibido.

A mídia hegemônica, aliás, se apressou em dizer que era bom Lula não ousar usar politicamente a morte da esposa, nem associar o fato à Lava Jato. Quase fizeram um manual de como ele deveria se comportar no velório.

O feminismo (de ocasião) se recolheu, ainda, quando delatores passaram a dizer que Marisa pediu reforma em sítio, mas era segredo. Pediu reforma em triplex, mas era segredo. Pediu terreno para Instituto Lula, mas era segredo. Ninguém presenciou a renião, só o delator e Marisa.

Tudo isso há poucos dias. Dona Marisa já não estava aqui para se defender.

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