Fernando Brito: Temer é pequeno demais para o cargo

"É repugnante a atitude de Michel Temer de se ocultar no aeroporto, mandando que para lá se desloquem as famílias dos mortos no acidente com o avião da Chapecoense por medo de vaias", diz Fernando Brito, editor do Tijolaço; "O exercício da função presidencial não é 'fazer uma social' em certas ocasiões. É representar o país inteiro. E para isso é preciso ter tamanho moral"

Vice-presidente e articulador político do governo, Michel Temer, durante evento em Brasília. 06/08/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino
Vice-presidente e articulador político do governo, Michel Temer, durante evento em Brasília. 06/08/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Leonardo Attuch)

Por Fernando Brito, editor do Tijolaço

Devem ter percebido os leitores deste blog que aqui não se aproveitou o clima de consternação com o infeliz  acidente que roubou a vida de 71 pessoas próximo a Medellín, na Colômbia, jornalistas , jogadores e dirigentes da Chapecoense.

Morbidez, positivamente, não é a minha praia.

Prefiro a dignidade, que vi em cenas que me tocaram como a do repórter Ari Peixoto, da TV Globo, meu amigo e contemporâneo, engasgar e chorar de emoção na hora de anunciar o traslado do corpo de um colega, o Guilherme Marques – a quem não conheci mas sobre o qual os amigos que o tiveram como “foca” fazem os maiores elogios como pessoa e profissional.

Ou a linda homenagem prestada pelos colombianos no estádio de Medellín, como para nos mostrar que o sentimento de sermos uma só América Latina é forte, generoso, fraterno entre eles e tão vilipendiado entre as nossas elites.

Mas não posso devanear  com estas cenas de grandeza quando a gente assiste um espetáculo de pequenez.

Senão, estaria praticando a hipocrisia que abomino.

Não posso deixar de dizer que é repugnante a atitude de Michel Temer de se ocultar no aeroporto, mandando que para lá se desloquem as famílias dos mortos no acidente com o avião da Chapecoense por medo de vaias.

Primeiro, para dizer que não acho apropriado vaiar a quem quer que seja numa ocasião destas.

Como, aliás, aqui jamais tiveram espaços os tais “escrachos” que viraram moda no nosso processo de brutalização política.

Depois, porque quem tem desrespeitado a tudo e a todos é justamente a turma grosseira e alucinada da direita, a começar por aquele “ei, Dilma, vá tomar no c…” na abertura da Copa do Mundo.

É só olhar os comentários nos sites de direita e ver quem é que está louco para “pegar” o Temer.

Já assisti vaias em velório. E dirigidas a Lula, então presidente, que nem por isso deixou de prestar sua homenagem póstuma a Leonel Brizola, em 2004, mesmo andando os dois às turras.

O exercício da função presidencial não é “fazer uma social” em certas ocasiões.

É representar o país inteiro.

E para isso é preciso ter tamanho moral.

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