FHC se apequena ao defender candidatura Huck, diz jornalista

Jornalista Jorge Felix avalia como "é curioso constatar como, depois de duas grandes vitórias, em 1994 e 1998, FHC foi se apequenando a cada eleição"; em 2016, diz ele, "com facilidade um político esperto fantasiado de outsider foi suficiente para desrespeitá-lo e impor sua candidatura contra o seu favorito à prefeitura de São Paulo"

Jornalista Jorge Felix avalia como "é curioso constatar como, depois de duas grandes vitórias, em 1994 e 1998, FHC foi se apequenando a cada eleição"; em 2016, diz ele, "com facilidade um político esperto fantasiado de outsider foi suficiente para desrespeitá-lo e impor sua candidatura contra o seu favorito à prefeitura de São Paulo"
Jornalista Jorge Felix avalia como "é curioso constatar como, depois de duas grandes vitórias, em 1994 e 1998, FHC foi se apequenando a cada eleição"; em 2016, diz ele, "com facilidade um político esperto fantasiado de outsider foi suficiente para desrespeitá-lo e impor sua candidatura contra o seu favorito à prefeitura de São Paulo" (Foto: Gisele Federicce)

Por Jorge Felix, em seu Facebook - "Não se apequene" - A frase curta e direta foi a última recomendação de Sérgio Motta, o Serjão, ao amigo fraterno Fernando Henrique Cardoso. Foi escrita na carta de despedida, quando o então ministro da Comunicação já tinha perdido as esperanças de sobreviver em sua luta contra uma bactéria, em 1998. Talvez hoje, com o re-lançamento da candidatura Huck por FHC, a frase revele seu teor premonitório.

Pouquíssimos conheciam FHC tão bem quanto Serjão. Se ele escreveu isso, provavelmente, é porque temia a capacidade do amigo para tal. Ao avaliar que a candidatura Huck "seria boa para o Brasil", FHC cumpriu o previsto por Serjão. Ontem, pensei que Elio Gaspari, que é bom de História, fosse lembrar dessa frase. Resgatá-la me parece fundamental para a análise política atual.

É curioso constatar como, depois de duas grandes vitórias, em 1994 e 1998, FHC foi se apequenando a cada eleição. Em 2002, foi preterido pelo candidato à sua própria sucessão. Terminando o mandato com aprovação pífia (apenas 8% votariam em seu candidato), aceitou em nome da perspectiva de poder para o PSDB. Perdeu. Em 2006, seu programa de privatizações foi massacrado pelo candidato de seu partido, que vestiu até um colete em alusão às estatais. Calou-se. Perdeu.

Em 2010, novamente aceitou um papel terciário na campanha. Em 2014, foi mais defendido, mas já era tarde. Seu capital político derretera como bitcoin. Tanto que com facilidade, em 2016, um político esperto fantasiado de outsider foi suficiente para desrespeitá-lo e impor sua candidatura contra o seu favorito à prefeitura de São Paulo. Agora, um minúsculo político a despencar no precipício, agarra-se a um galho fraco já com a certeza de que suas raízes curtas logo romperão.

Em seus últimos anos de vida, Serjão familiarizou-se com a nanotecnlogia. Falava muito disso. Mas não deve ter imaginado que o amigo pudesse chegar a tanto: de príncipe a um nanosociólogo - embora sua frase insinue que ele tenha morrido com algum medo.

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