Financial: Azevêdo "não parece promissor" na OMC

Intitulado "Uma oportuna chance de reavivar o comércio mundial", editorial do jornal britânico afirma que a eleição do baiano Roberto Azevêdo para comandar a Organização Mundial do Comércio (OMC) é "indubitavelmente resultado de uma ação diplomática mais forte do Brasil" e atribui a escolha de Azevêdo à força política da presidente Dilma Rousseff; mas os elogios param por aí; "À primeira vista, a nomeação de um brasileiro no comando da OMC não parece promissora. O Brasil não é um campeão de livre comércio"

Financial: Azevêdo "não parece promissor" na OMC
Financial: Azevêdo "não parece promissor" na OMC

Bahia 247

Tudo indica que o baiano Roberto Azevêdo, que foi escolhido na terça-feira (7) para comandar a Organização Mundial do Comércio (OMC), já encontrou seu primeiro desafeto. Em editorial publicado nesta quinta, o jornal inglês Financial Times deixa claro que não está muito à vontade com o soteropolitano à frente de uma das mais importantes organizações econômicas internacionais.

No texto o jornal diz que, à primeira vista, ter um brasileiro no comando da instituição "não parece promissor" porque o Brasil tem adotado medidas no caminho do protecionismo e que, diante disso, o diplomata precisa provar que é "dono de si".

Intitulado "Uma oportuna chance de reavivar o comércio mundial", o editorial reconhece que a eleição de Azevêdo é "indubitavelmente" resultado de uma ação diplomática mais forte do país e atribui a escolha de Azevêdo à força política da presidente Dilma Rousseff.

"Sob a presidência de Dilma Rousseff, o gigante latino-americano continua a tentar construir uma reputação como um mediador-chefe do mundo, colocando seus candidatos no topo de organismos multilaterais", diz o texto.

Mas os elogios a Dilma e ao Brasil ficam por aí e a desconfiança sobra para o novo embaixador. "À primeira vista, a nomeação de um brasileiro no comando da OMC não parece promissora. O Brasil não é um campeão de livre comércio. O Mercosul, o pacto regional que o Brasil ajudou a criar, tem falhado. Em 2011, o Brasil submeteu à OMC a retaliação contra os países envolvidos em políticas monetárias afrouxadas - um passo protecionista".

Outro foco da publicação, o de que Azevêdo teria quebrado protocolo no processo de escolha para sua escolha como líder da OMC. Correspondente de O Globo na Inglaterra Deborah Berlinck desconstrói critica do Financial Times abaixo.

Genebra - O jornal inglês "Financial Times", uma das publicações de maior credibilidade no mundo, errou grosseiramente num de seus principais artigos sobre como o brasileiro Roberto Azevêdo conseguiu ser eleito ao comando da Organização Mundial de Comércio (OMC). Sob o título de "Selado com um sorriso: como o Brasil colocou o seu homem Azevêdo na OMC", o artigo começa descrevendo como o brasileiro traiu o segredo inicial sobre sua vitória "com um sorriso" na saída da OMC. E todo o artigo foi construído com base nisso: o sorriso.

Detalhe capital: o homem que saiu da OMC com "o sorriso", logo depois de ser informado oficialmente da vitória do Brasil, não era Azevêdo, mas sim o diplomata Estanistau Amaral, o segundo na missão diplomática do Brasil em Genebra. Roberto Azevêdo, como mostram as fotos do GLOBO tiradas pouco após o anúncio, estava a vários quilômetros de distância da OMC, na sua sala de embaixador, esperando um telefonema de Estanislau Amaral, ao lado de sua mulher, a também embaixadora Maria Nazareth Farani Azevêdo.

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