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Flávio Bolsonaro pede interferência de Trump nas eleições e mostra sua vassalagem aos EUA, critica Bernardo Mello Franco

Colunista afirma que senador buscou apoio dos EUA, acenou com recursos naturais e levantou dúvidas sobre eleições, em discurso alinhado a Trump

Flávio Bolsonaro pede interferência de Trump nas eleições e mostra sua vassalagem aos EUA, critica Bernardo Mello Franco (Foto: Agência Brasil | Reprodução)

247 - Em coluna publicada no jornal O Globo, o jornalista Bernardo Mello Franco analisa o discurso do senador Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos e critica duramente sua postura, apontando um pedido explícito de interferência estrangeira no processo político brasileiro.

Segundo o colunista, o parlamentar participou de um evento no Texas, onde defendeu que o governo americano pressione instituições brasileiras. “Apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem adequadamente”, declarou o senador, conforme registrado na coluna. Para Bernardo, a fala indica uma visão de funcionamento institucional alinhada aos interesses do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O discurso ocorreu durante a CPAC, conferência que reúne setores da direita radical. No encontro, Flávio se apresentou como “Bolsonaro 2.0” e buscou aproximação com o ex-presidente americano Donald Trump, prometendo ser um “parceiro confiável”. Em seguida, sugeriu que o Brasil poderia contribuir com recursos estratégicos para interesses dos Estados Unidos. “O Brasil é a solução dos Estados Unidos para romper a dependência da China em relação a minerais críticos, especialmente terras-raras”, afirmou.

Na avaliação de Mello Franco, o senador extrapola ao tratar o país como ativo geopolítico subordinado. A crítica se intensifica quando Flávio descreve o Brasil como peça central em disputas internacionais. “O Brasil está se tornando o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será disputado”, disse o parlamentar. Ele também afirmou que seu pai estaria preso por “defender nossos valores conservadores” e repetiu críticas à “elite global” e à “agenda woke”.

O colunista destaca ainda que o senador insinuou desconfiança sobre o processo eleitoral ao sugerir que a disputa só será “livre e justa” sob determinadas condições políticas. Além disso, Flávio voltou a defender a atuação do governo anterior durante a pandemia, afirmando que o ex-presidente teria combatido a “tirania da Covid”. Bernardo relembra que, durante a gestão Bolsonaro, o país registrou quase 700 mil mortes pela doença, em meio a críticas à condução da crise sanitária, incluindo ataques à vacinação e resistência a medidas de distanciamento social.

A análise também ressalta que, no cenário internacional atual, declarações desse tipo não podem ser vistas apenas como retórica. O colunista aponta que, sob nova gestão, os Estados Unidos têm adotado posturas mais assertivas na América Latina, ampliando o peso de discursos que envolvem pedidos de pressão externa.

Por fim, o texto observa que Flávio Bolsonaro tem intensificado suas agendas nos Estados Unidos, com três viagens realizadas apenas neste ano e novos encontros previstos com empresários e lobistas. Paralelamente, o deputado Eduardo Bolsonaro também atua no país e mencionou a possibilidade de uso da Lei Magnitsky contra ministros do Supremo Tribunal Federal. “O Brasil corre o risco de não ter uma eleição reconhecida pelos Estados Unidos”, afirmou.

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