Florestan Fernandes Jr. lembra luta do pai por uma Educação pública para todos
No dia do Professor, o jornalista Florestan Fernandes Júnior lembra de episódio histórico do pai, o sociólogo e deputado constituinte; "Como deputado, Florestan venceu batalhas importantes em prol da educação pública ao lado dos educadores e parlamentares progressistas. Avanços que abririam caminho para a criação de programas como: Fies, ProUni, Pnaic e, a criação das cotas nas universidades federais em outubro de 2012", afirmou "Infelizmente os avanços que tivemos na educação pública nos últimos anos estão sendo destruídos pelos golpistas numa rapidez inimaginável. Mais do que nunca é necessário a mobilização de todos na defesa da educação pública de qualidade"
Por Florestan Fernandes Júnior, em seu Facebook - No dia dos professores lembro de uma cena em 1987, que me emocionou profundamente. Cerca de 50 mil professores da rede pública estadual realizaram uma assembleia no largo em frente ao estadio do Morumbi. Meu pai chegou por uma das avenidas principais que davam acesso à praça. Uma ladeira totalmente tomada por manifestantes. No carro de som anunciam a chegada dele. A multidão se abre dando espaço para o velho professor Florestan Fernandes passar com sua bengala a frente.
Todos o olham com admiração e respeito. As palmas tomam conta do vale por vários minutos, até que ele, finalmente, sobe no carro de som para falar.
Estava lá como repórter da Globo, olho para meus companheiros jornalistas e fotógrafos que já estão às lágrimas, inclusive eu. Naquele ano meu pai já era deputado constituinte e teria um papel importante na Comissão de Educação enfrentando o lobby poderoso da educação privada comandada entre outros, por João Carlos Di Gênio.
Como deputado, Florestan venceu batalhas importantes em prol da educação pública ao lado dos educadores e parlamentares progressistas. Avanços que abririam caminho para a criação de programas como: Financiamento Estudantil (Fies), Programa Universidade para Todos (ProUni), Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) e, a criação das cotas nas universidades federais em outubro de 2012.
Só para lembrar, o índice de estudantes matriculados no ensino fundamental, de 4 a 17 anos, subiu de 88,9%, em 2003, para 93,6%, em 2016 e, o número de doutores pulou de 7 mil para 17 mil no mesmo período.
Infelizmente os avanços que tivemos na educação pública nos últimos anos estão sendo destruídos pelos golpistas numa rapidez inimaginável. Mais do que nunca é necessário a mobilização de todos na defesa da educação pública de qualidade. Como bem disse Paulo Freire: "a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda."