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Mídia

Folha cobra conteúdo digital, mas reterá furo no papel

Quem diz é o editor executivo Sérgio Dávila, comandante das redações agora unificadas da Folha de S.Paulo e Folha Online; "o repórter sabe que a nossa primazia é o papel", afirmou ele à revista Imprensa; fusão resultou em demissões na empresa

Folha cobra conteúdo digital, mas reterá furo no papel (Foto: Edição/247)
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247 - Esclarecedora entrevista do editor executivo das agora unificadas redações da Folha de S. Paulo e Folha Online à revista Imprensa que está nas bancas. O jornalista Sérgio Dávila, com efeito um dos melhores quadros da organização da família Frias, deu notícia à repórter Katia Zanvettor sobre as inúmeras reuniões internas entre editores do jornal da rua Barão de Limeira na preparação do processo de fusão de "culturas" dentro da empresa, que resultou na formação de uma única redação para a produção de conteúdo digital e para o papel.

Apesar de cobrar pelo acesso à integralidade do seu sítio na internet, a Folha afirma, por Dávila, que quando obtiver um furo, o meio digital vai ter de esperar. A preferência é do papel. O certo é que, pouco depois de falar à Imprensa, numa demonstração de que o modelo de redação única pode não ser bom para o leitor online, mas sai bem mais em conta para a empresa Folha da Manhã S.A., houve demissões de profissionais em ambas as áreas da companhia – digital e papel.

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"Nós estamos liberando os editores para em alguns casos, não todos, evidentemente, não perseguir o furo", disse Dávila. Isso deve significar, na prática, um jornal online mais 'frio', como se diz no jargão da mídia, com notícias controladas a partir da "primazia", para usar expressão do editor executivo, do papel.

Dávila citou o exemplo que considera um dos mais conflitantes para se tomar a decisão de segurar a informação na Folha Online – isto é, não publicar no meio digital – e retê-la até que a edição em papel, com  seu hoje lento modo de produção, saia às ruas. Trata-se do caso de uma hipotética entrevista com o compositor Chico Buarque, que não é dado a entrevistas e, por isso, quando fala, segundo a imagem de Dávila, concede material precioso. De acordo com o editor executivo, ao voltar para a redação, o repórter e seu companheiro fotógrafo não poderão despejar rapidamente, como certamente gostaria o leitor que paga pelo conteúdo digital, o resultado da conversa na Folha Online – e muito menos publicar de modo remoto, sem nem precisar voltar à redação para fazê-lo. O que a dupla de profissionais terá de fazer será produzir material para a Folha em papel, e esperar pelo tempo necessário para que o produto venha a ser impresso e circule. "Na dúvida, o repórter sabe que a nossa primazia é o papel", resumiu. "Eu vou falar para ele segurar todo o conteúdo para a manchete da Folha de domingo", completou Dávila.

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Na prática, a Folha de papel roda à meia-noite e os primeiros exemplares ficam disponíveis numa lojinha diante da rotativa, a partir de uma hora da manhã. Uma eternidade em comparação com a rapidez do jornalismo virtual. Se, usando o mesmo exemplo, Chico concedeu a entrevista ao meio-dia, minutos depois, a depender da orientação editorial dada ao jornalista em contato com o entrevistado, o conteúdo já poderia estar sendo veiculado pela internet. Mas o leitor da Folha Online terá de esperar não apenas o dia seguinte, mas o domingo para ler o que Chico disse de tão importante: que vai parar de cantar e compor, na hipótese levantada por Dávila. Ele explica: "O papel ainda é o rei na Folha porque ele é o motor econômio da operação toda", admiitiu o jornalista.

Que não se espere grandes agilidades da Folha Online, mesmo tendo o leitor de pagar pelo acesso integral ao sítio do jornal. Quem procurar 'furo' ali, no mais das vezes não vai encontrar. Enquanto isso, a empresa ganha com a economia de pessoal feita com a fusão de redações. Com efeito, a "primazia", lá na Barão de Limeira,  continua sendo do papel – jornal e moeda.

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Leia abaixo a entrevista do jornalista Sérgio Dávila à revista Imprensa:




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