Gaspari: Barbosa deve desculpas a Lewandowski

Interpelações de Joaquim Barbosa baixam o nível no Supremo, na opinião do colunista d´O Globo; para Elio Gaspari, mesmo que o presidente do STF não seja candidato à presidência, "deve respeitar o dissenso", pois "fazendo como faz, embaraça até mesmo quem o admira"

Interpelações de Joaquim Barbosa baixam o nível no Supremo, na opinião do colunista d´O Globo; para Elio Gaspari, mesmo que o presidente do STF não seja candidato à presidência, "deve respeitar o dissenso", pois "fazendo como faz, embaraça até mesmo quem o admira"
Interpelações de Joaquim Barbosa baixam o nível no Supremo, na opinião do colunista d´O Globo; para Elio Gaspari, mesmo que o presidente do STF não seja candidato à presidência, "deve respeitar o dissenso", pois "fazendo como faz, embaraça até mesmo quem o admira" (Foto: Gisele Federicce)
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247 - As interpelações do presidente do STF, Joaquim Barbosa, baixam o nível na corte suprema, na opinião do colunista d´O Globo Elio Gaspari. Para o jornalista, Barbosa deve desculpas a Ricardo Lewandowski, a quem acusou de fazer "chicana", na frente das câmeras. E deve, mesmo que não se candidate à presidência da República, "respeitar o dissenso".

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Barbosa deve desculpas a Lewandowski

Na próxima quarta-feira o ministro Joaquim Barbosa deveria pedir desculpas ao seu colega Ricardo Lewandowski, diante das câmeras, na Corte. Todo mundo ganhará com isso, sobretudo ele e sua posição, que é a de mandar alguns mensaleiros a regimes carcerários fechados. Barbosa desqualificou como "chicana" uma posição de Lewandowski e, instado a se desculpar, encerrou a sessão, como o jogador que leva a bola para casa. Ao perder uma votação, já disse que "cada país tem o modelo e tipo de Justiça que merece", como se fora um biólogo ucraniano. Já acusara Lewandowski de alimentar "um jogo de intrigas". Já chamou de "palhaço" um jornalista que lhe fizera uma pergunta, mandando-o "chafurdar no lixo" e, há poucas semanas, retomou a melodia, chamando-o de "personagem menor".

Meteu-se num debate com o ministro Dias Toffoli condenando o que supunha ser o voto do colega com um argumento dos oniscientes: "Eu sei aonde quer chegar." Não sabia. Toffoli lembrou-lhe que não tinha "capacidade premonitória" e provou: votava com ele.
Barbosa poderá vir a ser candidato a presidente da República. Mesmo que decida não entrar nessa briga, como presidente do Supremo, deve respeitar o dissenso, evitando desqualificar as posições alheias, com adjetivos despiciendos. Fazendo como faz, embaraça até mesmo quem o admira.

Há ministros que se detestam, mas todos procuram manter o nível do debate. As interpelações de Barbosa baixam-no, envenenando o ambiente. Seriam coisas da vida, mas pode-se remediá-las. Na Corte Suprema americana, antes que comecem os debates (fechados), o presidente John Roberts vai para a porta da sala e começa uma sessão de gentilezas, na qual todos os juízes se cumprimentam. Na saída, ele se apressa, volta ao lugar e recomeça o ritual. Boa ideia. Evitaria a cena de salão de sinuca ocorrida depois da sessão de quinta-feira.

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