Gaspari critica comparação entre Lula e Lincoln e empurra Barbosa ao Planalto
Na coluna deste domingo, o jornalista aponta imprecisões nas referências que o ex-presidente brasileiro fez a Abraham Lincoln; em outro trecho da coluna ele fala do aplauso de pé, durante cinco minutos, que Joaquim Barbosa recebeu em Trancoso
247 - Bater no ex-presidente Lula é, há vários anos, um dos esportes prediletos dos principais colunistas da imprensa brasileira. Outro que se torna cada vez mais comum é incensar o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que, ontem, recebeu uma nota duríssima – e inédita – assinada por presidentes de três associações de magistrados (leia aqui). Neste domingo, Elio Gaspari faz as duas coisas: ironiza Lula e tenta empurrar Joaquim Barbosa ao Palácio do Planalto:
ABRAHAM LULA DA SILVA
Nosso Guia vive numa história própria. Já disse que Napoleão foi à China e que Oswaldo Cruz descobriu a vacina da febre amarela. Comparando-se a Abraham Lincoln, informou que "estou lendo" a edição brasileira do livro de Doris Kearns Goodwin e "fico impressionado como a imprensa batia no Lincoln em 1860, igualzinho batia em mim".
Onde ele leu isso, não se sabe. Em 1860 Lincoln era um azarão na disputa pela indicação do Partido Republicano e foi beneficiado pela atividade de dois jornalistas/empresários metidos em política. (Depois ambos brigaram com ele porque não queriam o fim da escravidão, mas essa é outra história.) Nessa fase, Lincoln foi poupado, e no livro que Lula disse estar lendo há duas referências da imprensa a Lincoln, ambas elogiosas. Ele acompanhou o resultado da convenção na Redação de um jornal.
Durante a campanha e a Guerra Civil o pau comeu, e os jornais do Sul, bem como os Democratas do Norte, chamavam-no de semianalfabeto, "terrorista inculto", mas esse era o jogo jogado. A imprensa republicana exaltava sua origem humilde, sua simplicidade e a abstinência de fumo e álcool (páginas 75 e 76).
Numa coisa Nosso Guia está inteiramente certo: aliados e adversários subestimaram aquele advogado desengonçado que gostava de contar histórias.
VAIAS E APLAUSOS
Durante um dos concertos do festival "Música em Trancoso", houve um princípio de vaia quando anunciou-se a presença da ministra da Cultura, Marta Suplicy, que estava no cantinho das autoridades. Até aí, nada demais, pois a plateia daquela praia está fora do Bolsa Família.
Logo depois anunciou-se a presença do ministro Joaquim Barbosa, que estava na arquibancada. Foi aplaudido de pé por mais de mil pessoas, durante vários minutos. Ganhou mais palmas que as cinco peças de Tchaikovsky.
