Gaspari: Temer ofendeu servidores e iludiu público em declaração sobre ‘saboneteira’

"Michel Temer deve um pedido de desculpas aos servidores públicos que batalham no combate ao trabalho escravo", diz o jornalista Elio Gaspari, citando declaração do peemedebista que afirmou que "se você não tiver a saboneteira no lugar certo significa trabalho escravo"; "A história [contada por Temer] era bem outra. Em 2011, a construtora MRV sofreu 44 autos de infração pelas condições de seus operários num canteiro de obras em Americana (SP). A empresa atrasava salários e retinha carteiras de trabalho (golpe velho). Nos seus alojamentos faltavam colchões e água potável. Sem saboneteiras, os banheiros eram inadequados", explica Gaspari

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escravidão (Foto: Giuliana Miranda)

247 - O jornalista Elio Gaspari criticou duramente Michel Temer, em sua coluna desta quarta-feira, pelas recentes declarações do peemedebista sobre a questão do trabalho escravo.

"Michel Temer deve um pedido de desculpas aos servidores públicos que batalham no combate ao trabalho escravo. Numa entrevista ao repórter Fernando Rodrigues, ele disse o seguinte: “O ministro do Trabalho me trouxe aqui alguns autos de infração que me impressionaram. Um deles, por exemplo, diz que se você não tiver a saboneteira no lugar certo significa trabalho escravo.” Se uma empresa foi autuada só por isso, a arbitrariedade foi gritante, e o argumento usado pelo presidente da República justificaria uma revisão das normas existentes.

A história era bem outra. Em 2011, a construtora MRV sofreu 44 autos de infração pelas condições de seus operários num canteiro de obras em Americana (SP). A empresa atrasava salários e retinha carteiras de trabalho (golpe velho). Nos seus alojamentos faltavam colchões e água potável. Sem saboneteiras, os banheiros eram inadequados.

O caso foi para a Justiça, a MRV foi condenada a pagar uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais e em 2014 fez um acordo, pagando R$ 2 milhões. O que foi apresentado pelo presidente como prova de um absurdo era justamente o contrário, uma demonstração de que a fiscalização punia maus empresários. O acordo assinado pela MRV coroava a eficácia da legislação.

Dias depois, perguntado sobre o caso, Temer justificou-se, lembrando que as informações lhe haviam sido dadas pelo seu ministro do Trabalho. Quando o repórter Ricardo Mendonça lembrou-lhe que havia outras outras infrações no processo, esquivou-se: “Ah, aí eu não sei.”

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