Globo diz que é "insustentável" a relatoria de Toffoli no caso Master
Editorial afirma que Toffoli deve deixar relatoria do caso Master diante de revelações da PF e aponta conflito de interesses
247 - Em editorial publicado nesta quinta-feira (12), o jornal O Globo afirma que se tornou “insustentável” a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria do processo sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Para o periódico, diante das revelações contidas no relatório entregue pela Polícia Federal (PF) ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, o próprio Toffoli deveria declarar-se suspeito para conduzir o caso.
Segundo o texto, caso o ministro não se afaste voluntariamente, caberá ao plenário do STF decidir “sem demora” sobre sua suspeição e promover o sorteio de um novo relator. O jornal ressalta que, até o momento, não há ato ilegal ou criminoso atribuído a Toffoli, mas sustenta que a questão central é de ordem ética. “No campo da ética, sobram razões para seu afastamento”, afirma o editorial.
A avaliação se baseia em mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o pastor Fabiano Zettel, cunhado dele, que indicariam pagamentos de fundos ligados ao Master à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio ao lado de dois irmãos. Também são mencionados convite para uma festa de aniversário do ministro e registros de telefonemas entre ele e Vorcaro. Para o jornal, ainda que o magistrado se considere apto a atuar no caso, o vínculo com o investigado comprometeria a percepção de isenção. “O conflito de interesses é evidente”, sustenta o texto.
O editorial lembra que a Maridt participou da administração do resort Tayayá, no Paraná, até fevereiro de 2025, quando os sócios venderam suas participações. Em nota, Toffoli destacou que a Lei Orgânica da Magistratura autoriza magistrados a integrar quadro societário de empresas e receber dividendos, além de classificar como “ilações” as suspeitas envolvendo o empreendimento. O jornal pondera, contudo, que, embora a empresa seja fechada e não tivesse obrigação legal de divulgar todos os acionistas, o ministro deveria ter revelado o vínculo em nome da transparência e se declarado impedido.
O texto também cita como agravante o fato de Toffoli ter viajado em jato particular na companhia do advogado de um dos investigados para assistir à final da Taça Libertadores da América, no Peru. Além disso, elenca decisões consideradas controversas no andamento do processo, como a manutenção do caso no STF, a decretação de elevado grau de sigilo, a centralização da investigação, a determinação de uma acareação posteriormente cancelada e a definição de regras específicas para análise das provas recolhidas pela PF.
Por fim, o editorial adverte que o caso Master não gerou risco sistêmico ao sistema bancário, mas pode afetar a credibilidade do Supremo. Para o jornal, o momento exige uma resposta firme da Corte, começando pelo afastamento de Toffoli da relatoria, a fim de preservar a confiança pública na instituição.