Globo muda jeito de fazer novelas para conquistar Classe C

“Avenida Brasil” e “Cheias de Charme” prometem sucesso

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Em entrevistas concedidas a publicações especializadas antes de a novela das nove, "Avenida Brasil", começar, João Emanuel Carneiro, autor da trama, afirmou que a produção não foi concebida para agradar a classe C – que tem sido vista pelas emissoras de TV como o público que determina uma boa audiência. Tratando-se das telenovelas, que completaram 60 anos em 2012, o gênero continua mantendo o posto de "produto" que atrai o maior número de telespectadores no país, batendo facilmente as partidas de futebol, esporte mais popular do Brasil.

Ao longo dos anos, as telenovelas sofreram diversas adaptações para se adequar a situações políticas, sociais e econômicas do país e muitas tramas pontuam estas fases com seus personagens e enredos que refletiam a realidade brasileira. A Rede Globo, líder de audiência nacional, firmou sua posição com investimentos pesados na teledramaturgia e hoje é o canal que busca atingir a parcela popular do público com mais eficiência, ciente do poder aquisitivo da classe.

"Fina Estampa" de Aguinaldo Silva, terminou com média de 39 pontos de audiência e muitos capítulos acima dos 40, números que a emissora não via fazia tempo no horário nobre. Deve-se muito ao roteiro popularesco e o tiro certeiro do autor que não escondia sua aposta numa história simples, que agradasse, como ele descrevia, o público "C".

Da abertura com o ritmo "Ku duro", a trilha sonora recheada de música sertaneja e pagode de raiz, "Avenida Brasil" expõe uma vertente popular. A diferença para "Fina Estampa" é gritante, apesar do mesmo objetivo. João Emanuel deixou sua marca elitista e apesar de ambientar boa parte da estória no subúrbio carioca do fictício bairro do Divino e pontuar personagens como o famoso jogador de futebol, a dona de um salão de beleza e a típica piriguete, a trama principal é de um drama urbano cheio de nuances, aliado a um texto inteligente, com tiradas que facilmente viram bordão nas redes sociais.

Com três semanas no ar, "Avenida" já bateu duas vezes seu recorde de audiência (40 pontos), alcançado no capítulo 07 marcando a transição da primeira para segunda fase. Em tão pouco tempo já colocou Adriana Esteves, a Carminha, como uma vilã que promete ser histórica numa interpretação digna de prêmios televisivos. Também é possível apontar outros destaques: Vera Holtz (Mãe Lucinda), José de Abreu (Nilo), Marcos Caruso (Lelelo), Isis Valverde (Suellen) e Carolina Ferraz (Alexia) caíram no gosto do público e seus personagens ganham cada vez mais espaço.

Mas é impossível falar do elenco sem citar Mel Maia, a Ritinha da primeira fase, que encantou o público e protagonizou cenas com talento de gente grande. A garota voltará ao ar em flashbacks inéditos e já está confirmada em "Lado a lado", novela de época, que substituirá "Amor Eterno Amor", as 18h30.

Mais do que um elenco afinado, "Avenida Brasil" tem elementos de cinema e um acabamento que mostra o seu "tom elitista". A qualidade da fotografia, direção e roteiro amarrado, repete "A Favorita", que tem praticamente a mesma equipe técnica, com a vantagem de que em AB os núcleos paralelos conduzem uma trama popularesca, que reflete os bons números alcançados no IBOPE. A depender do histórico do autor, que já escreveu "Da cor do Pecado", "Cobras e Lagartos" e a série "A Cura", "Avenida" é mais um sucesso estrondoso para sua coleção.

Falando em "Classe C", nesta segunda-feira (16/04), entrou no ar "Cheias de Charme", escrita pelos novatos Felipe Migues e Isabel Oliveira. Essa, sim, é uma novela que não esconde a que veio e promete conquistar todo tipo de público. Com direção ágil, elenco enxuto e roteiro que apresentou um primeiro capítulo cativante, a trama dominou os treendig topics do Twitter – colocando 07 hastags entre as 10 mais populares do mundo. Destaque para a Chayane de Claudia Abreu, uma famosa cantora de tchenobrega e o trio de empregadas formado pelas atrizes Tais Araujo, Leandra Leal e Isabele Drummond.

"Cheias de Charme" é uma clara "chanchada musical", onde tudo é exagerado e cômico e ainda assim consegue se aproximar da realidade. É um conto de fadas, com três empregadas domésticas doidas para viver sua história de cinderela. A trilha sonora que tem como destaque de abertura (excelente, por sinal), "Ex-my love" de Gaby Amarantos (A "Beyoncé do Pará) é só uma mostra dos hits do "povão" na história. Neste primeiro dia já tocou também "Dar-te" de Ivete Sangalo. A trama começou com 29 pontos e teve picos de 36. A meta para o horário é de 30. A Globo comemora, mais uma vez, a renovação do seu produto mais lucrativo.

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