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Governo brasileiro cobra explicações do TikTok por vídeos misóginos

Ministério da Justiça exige detalhes sobre moderação e algoritmo após vídeos que simulam agressões a mulheres viralizarem na plataforma

Ícone do TikTok em tela de celular - 27/10/2025 (Foto: REUTERS/Dado Ruvic)

247 - O governo brasileiro cobrou explicações do TikTok nesta terça-feira (11) após a circulação de vídeos que simulavam agressões contra mulheres e se espalharam rapidamente na plataforma. A cobrança foi formalizada pelo Ministério da Justiça, que quer esclarecimentos sobre as medidas adotadas pela rede social para identificar e remover conteúdos misóginos.

A informação foi divulgada pela Agence France-Presse (AFP). Segundo a reportagem, os vídeos viralizaram nos últimos dias, coincidindo com as mobilizações relacionadas ao Dia Internacional da Mulher.

As gravações mostravam homens simulando atos de violência contra manequins que representavam mulheres. Em alguns casos, os participantes fingiam desferir chutes, socos e facadas. As imagens eram acompanhadas por textos que buscavam justificar a agressão após uma rejeição amorosa.

O conteúdo circulava dentro de uma tendência identificada pela frase “caso ela diga não”, sugerindo que a violência seria uma resposta à negativa feminina a investidas românticas. A prática gerou forte repercussão nas redes e críticas por estimular comportamentos violentos.

Diante do caso, o Ministério da Justiça enviou um ofício ao TikTok pedindo explicações detalhadas sobre o funcionamento de seus sistemas de moderação e sobre o algoritmo responsável por recomendar conteúdos aos usuários. O governo também solicitou esclarecimentos sobre a possibilidade de os perfis que divulgaram os vídeos terem recebido pagamento para publicar o material.

A plataforma tem prazo de cinco dias para responder ao questionamento das autoridades brasileiras.

No documento, o ministério ressaltou que a responsabilidade da empresa não se limita a remover conteúdos após notificação oficial. O órgão citou uma decisão do Supremo Tribunal Federal que ampliou a responsabilidade civil das redes sociais, determinando que as plataformas devem agir de forma proativa diante de conteúdos que configurem crimes, especialmente aqueles que envolvam violência contra mulheres.

Paralelamente, a polícia identificou quatro perfis responsáveis pela publicação dos vídeos investigados.

Em nota, o TikTok informou que as postagens denunciadas já foram retiradas do ar. A empresa afirmou ainda que seu “time de moderação segue atento e trabalhando para identificar possíveis conteúdos violativos sobre o tema”.