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Helena Chagas: a lealdade do mercado é muito mais com Guedes do que com Bolsonaro

Por esse motivo, o presidente precisa muito mais do ministro da Economia do que vice-versa, completa Helena Chagas, integrante do projeto Jornalistas pela Democracia, em análise feita à TV 247; ela também diz no comentário que Bolsonaro tentou apaziguar os ânimos com Guedes nesta segunda-feira, após ter sido desautorizado duas vezes em público na última sexta por membros da área econômica; assista

Helena Chagas: a lealdade do mercado é muito mais com Guedes do que com Bolsonaro

247 - A jornalista Helena Chagas, integrante do projeto Jornalistas pela Democracia, comentou o primeiro encontro público do presidente Jair Boslonaro (PSL) com o ministro da Economia, Paulo Guedes, em cerimônia de posse dos presidentes dos bancos públicos nesta segunda-feira 7, depois de Bolsonaro ter sido desmentido publicamente na última sexta e Guedes ter desmarcado, em seguida, os anúncios de medidas econômicas que faria naquela tarde. Em sua coluna publicada no portal do 247, ela diz que Bolsonaro precisa mais de Guedes do que vice-versa.

Na sexta, Bolsonaro anunciou pela manhã o aumento do IOF e a redução da taxa de 27,5% do Imposto de Renda para 25%, diminuindo, com isso, o imposto a ser pago pelos brasileiros que ganham mais. À tarde, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, negaram as duas medidas. Onyx chegou a dizer que houve uma "confusão", mas assegurou que não seriam anunciados nem o aumento do imposto nem a redução do IR.

"O Bolsonaro recuou", avalia Helena, sobre o discurso feito pelo presidente na cerimônia de posse dos presidentes dos bancos públicos, em Brasília. "Ele fez um discurso bastante amistoso ao Guedes, falou da amizade deles. Bolsonaro fez tudo dentro do figurino e foi o primeiro dia em que ele vestiu um pouco a camisa de presidente da República, porque até agora ele era ainda candidato. Isso tudo para apaziguar os ânimos com o seu ministro da Economia", completou.

"Porque a gente viu só uma semana de governo e ela foi suficiente para ver a embocadura do poder nesse governo Bolsonaro. O mercado, o PIB e sobretudo a grande mídia passaram essa primeira semana elogiando o Paulo Guedes e apostando na reforma da Previdência do Paulo Guedes e quase dando bronca no Bolsonaro por causa das declarações desencontradas deles. Portanto, apesar de o Bolsonaro ter sido o eleito, a lealdade desse setor da sociedade é muito mais com o Guedes e com a agenda neoliberal. É o Guedes quem os representa na sociedade", disse ainda a jornalista.

No momento da apresentação da reforma da Previdência, os dois "terão que chegar a uma síntese para agradar gregos e troianos", embora a decisão seja "política e parta do presidente da República", acrescenta Helena Chagas. O Bolsonaro inclusive mandou um recado durante seu discurso hoje, lembrando a Guedes que o ministro entende muito mais de economia do que ele, mas que ele, Bolsonaro, entende muito mais de política, recordou Helena. Sobre o tema, Bolsonaro defende uma reforma menos dura do que Guedes e já chegou a dizer que não quer maltratar os velhinhos.

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