Istoé define chefe da Secom como Goebbels do Planalto

"Saiba quem é e como opera Fábio Wajngarten, o chefão da Secom, que vem tocando de maneira totalmente inábil a comunicação do governo e manipulando verbas publicitárias de acordo com interesses ideológicos", aponta reportagem da revista Istoé

(Foto: Reprodução/Istoé)

Da revista Istoé – “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Essa frase, cunhada por Joseph Goebbels, chefe do departamento de propaganda do regime nazista no final da década de 1930, alavancou o Terceiro Reich do ditador Adolf Hitler. No delírio de dominarem o mundo, a dupla da suástica considerava imprescindível controlar os grandes grupos de mídia, justamente para transformar mentiras em verdades. O governo Bolsonaro vem seguindo essa tática por intermédio do chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), Fábio Wajngarten, que acena com gordas verbas publicitárias para os veículos dóceis ao poder e tesoura contratos das empresas que democraticamente exercem a função precípua do bom jornalismo: a de manter uma visão independente e crítica.

Além da asfixia comercial manipulada com dinheiro público (ele tem sob sua guarda R$ 450 milhões de recursos federais), Wajngarten ameaça “quebrar” jornais, revistas e emissoras de tevê e rádio. Mais: estimula blogs e redes sociais que operam no submundo da Internet, incentiva anunciantes a deixarem de investir na mídia discordante e está por trás da articulação do presidente de tentar cassar a concessão de canais de televisão – nada diferente do que fez o populista e demagogo Hugo Chávez, na Venezuela. À ISTOÉ, que também é boicotada pelo governo, asseclas de Wajngarten informam que só terão verbas publicitárias públicas os veículos “convertidos”, ou seja, “os que apresentarem completa adesão, sem ressalvas ou críticas, por menores que sejam, ao governo.”

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O publicitário, ainda de acordo com essa fonte, “fazia a cabeça” de Bolsonaro contra a Globo, à qual não tinha acesso, e concentrava as aparições do presidenciável somente nas emissoras para as quais fazia lobby. A mesma estratégia está sendo posta em prática agora. Nos primeiros meses do ano, a Record recebeu R$ 10,3 milhões de verbas do governo (um aumento de 659% em relação ao ano passado) e o SBT faturou R$ 7,3 milhões (uma alta de 511%), enquanto a Globo, líder inconteste do mercado, recebeu apenas R$ 7,7 milhões (aumento de 19%). E, pior, o governo identifica a Globo como uma das “hienas” que atacam o presidente travestido de leão. Na semana em que a Globo noticiou que partira da casa da família Bolsonaro, no condomínio Vivendas da Barra, no Rio, a autorização para que um dos suspeitos da execução de Marielle Franco entrasse no conjunto residencial, Bolsonaro gravou um vídeo chamando a emissora de “Globolixo”, acusando-a de “canalhices” e “patifarias”. Nesse vídeo, ameaçou não lhe renovar a concessão, que vence em 2022. “Vocês têm que estar arrumadinhos para 2022, hein! Eu estou dando o aviso antes”, disse Bolsonaro, escudado na política de intimidação desenvolvida pelo chefe da Secom.

Dentro de sua guerra particular contra a Globo, na semana passada o próprio Wajngarten divulgou uma nota oficial detonando a direção de jornalismo da emissora, por ela ter distribuído um comunicado interno, assinado pelo diretor Ali Kamel, elogiando o trabalho de seus jornalistas no caso Marielle. Ele deu os “parabéns efusivos” aos repórteres. Em nota na terça-feira 5, o chefão da Secom afirmou que o comunicado de Kamel foi “lamentável” e que se a emissora fizesse “de fato bom jornalismo, como defende, investigaria e publicaria sua própria participação em supostos pagamentos de propina a dirigentes da FIFA para a compra de direitos na transmissão da Copa do Mundo”. Provocação sórdida e barata. Nesse clima, Bolsonaro anunciou em uma de suas “lives” pela rede social que determinou aos órgãos públicos que cortassem as 14 mil assinaturas do jornal “Folha de S. Paulo”, por considerá-lo inimigo do governo.

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