Jânio de Freitas: 'Brasil não chegou a sair do que sempre foi: um país para poucos'
O jornalista Janio de Freitas afirma que o incêndio no Museu Nacional devolve ao Brasil a marca do país atrasado e subdesenvolvido; ele diz: "um exame sem complacências do estágio a que o país chegou mostrará que nada mais resta, na realidade nacional, do percurso traçado na Constituição para se construir uma nação digna, próspera e humanitária: uma democracia de direito e de fato"
247 - O jornalista Janio de Freitas afirma que o incêndio no Museu Nacional devolve ao Brasil a marca do país atrasado e subdesenvolvido. Ele diz: "um exame sem complacências do estágio a que o país chegou mostrará que nada mais resta, na realidade nacional, do percurso traçado na Constituição para se construir uma nação digna, próspera e humanitária: uma democracia de direito e de fato."
Em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo, o jornalista destaca a percepção internacional sobre a perda do Museu: "em sua primeira página de terça-feira, The New York Times ligou a perda do Museu ao 'declínio de uma nação'. Não é caso de declínio, propriamente. O Brasil apenas começara a esboçar, na lentidão de 30 anos, uns poucos e desconexos traços de democracia — com a redução de algumas desigualdades no governo Lula e com a denúncia (mais barulhenta do que resultante) de alguns dos muitos preconceitos."
Freitas ainda afirma que o Brasil "não chegou a sair do que sempre foi, país injusto, atrasado, sob domínio pétreo de uma classe ultraminoritária e provinciana."