Jeferson Miola: Estados Unidos são mesmo a maior democracia ocidental?

“Onde é que está a OEA que não está intervindo em uma situação de franca ameaça pelo Trump a respeito de uma votação que houve no seu país?”, questionou o jornalista Jeferson Miola em entrevista à TV 247. Assista

Jeferson Miola, Joe Biden e Donald Trump
Jeferson Miola, Joe Biden e Donald Trump (Foto: Reprodução | Reuters)
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247 - O jornalista Jeferson Miola, em entrevista à TV 247, questionou a consistência e o status de “maior democracia ocidental” dos Estados Unidos diante de seu sistema complexo, confuso e indireto de eleição.

Nos EUA, o processo eleitoral é definido por colégios eleitorais de cada estado, que resulta na possibilidade de um candidato chegar à Casa Branca mesmo sem ter a maioria dos votos absolutos do país, como já ocorreu em outras ocasiões. Miola critica tal estrutura e coloca em questão a democracia norte-americana. “Que modelo mesmo de democracia é os Estados Unidos? Ela é mesmo a maior democracia ocidental? É uma democracia que os perdedores do voto popular podem se tornar presidentes, ou seja, que a escolha é uma escolha indireta. A Hillary Clinton, por exemplo, perdeu para o Trump no colégio eleitoral, mas venceu nas urnas. Em 2000, o Al Gore perdeu para o Bush no colégio eleitoral mas venceu nas urnas”.

O analista político ainda apontou a falta de pluralidade e diversidade estadunidense com origem em seu sistema bipartidário, que conta com apenas dois partidos: Democratas e Republicanos. “Temos uma situação de uma democracia que não expressa a pluralidade, que é bipartidária, que não expressa a diversidade que a sociedade possa ter, e de domínio do establishment de forma absoluta, que é um sistema caótico, é um sistema que não respeita a soberania popular em última instância e é um sistema profundamente sujeito a fraudes”.

Miola concluiu com uma provocação. Diante de toda a insegurança da disputa entre Joe Biden e Donald Trump, o jornalista questionou a ausência da Organização dos Estados Americanos (OEA) no processo eleitoral dos EUA, já que a entidade por incontáveis vezes interferiu em pleitos de outros países, como na Bolívia no ano passado. “Talvez essa seja uma situação de aplicar a regra que os Estados Unidos aplicam em relação aos países em que eles interferem, como foi o caso da Bolívia em 2019 com a OEA. Onde é que está a OEA que não está intervindo em uma situação de franca ameaça pelo Trump ao respeito de uma votação que houve no seu país?”.

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