JN: "E como está o tomate?" Resposta: "Bem melhor"

Apresentado ontem por Ana Paula Araújo, o Jornal Nacional se contorceu para tentar provar que o Brasil vive um absoluto descontrole inflacionário; o ponto alto foi a pergunta feita pela reportagem a uma consumidora sobre o preço do tomate. "Está R$ 1,85. Bem melhor, não é?", disse ela; de acordo com a análise do JN, os protestos nas ruas contribuíram para a queda dos preços; alta dos alimentos em junho foi a menor em dois anos

JN: "E como está o tomate?" Resposta: "Bem melhor"
JN: "E como está o tomate?" Resposta: "Bem melhor"

247 - A "crise do tomate", deflagrada pela Rede Globo quando a apresentadora Ana Maria Braga pendurou um colar no pescoço com os alimentos, e que teve sequência nas revistas Época e Veja, que dedicaram capas ao assunto, chega ao fim, de forma melancólica, para os meios de comunicação. Ontem, o Jornal Nacional fez mais uma reportagem para tentar provar que o Brasil vive uma situação de absoluto descontrole inflacionário. No ponto alto da reportagem, a repórter Flávia Jannuzzi pergunta a uma consumidora: "Como está o preço do tomate?" E a resposta: "Está R$ 1,85. Bem melhor, não é?". Mais adiante, a mesma entrevistada afirma que vários produtos estão caindo de preço – e uma economista reforça, sinalizando que a alta dos alimentos em junho foi a menor em dois anos.

Abaixo, a transcrição do JN de ontem:

JN 5 de julho

APRESENTADORA ANA PAULA ARAÚJO: Foi divulgado hoje o índice que mede oficialmente o comportamento dos preços na economia brasileira. A inflação recuou em junho, mas o teto da meta estabelecida pelo governo estourou pelo segundo mês seguido. 

REPÓRTER FLÁVIA JANNUZZI: Foi um mês de junho atípico, vendas fracas ajudaram a derrubar os preços, segundo a coordenadora de Índice de Preços do IBGE.

COORDENADORA DE ÍNDICE DE PREÇOS-IBGE/EULINA NUNES: Com o protesto nas ruas e vários estabelecimentos fechados por muitos dias, o estoque ficou maior e a demanda se reduziu. Então, nós tivemos uma oferta maior e demanda menor, fazendo com que os comerciantes reduzissem seus preços.

REPÓRTER FLÁVIA JANNUZZI: A boa safra agrícola também contribuiu e quem estava acostumado a gastar mais e levar menos percebeu a trégua. Como está o preço do tomate?

ENTREVISTADA: Está R$ 1,85. Bem melhor, não é?

ENTREVISTADA: Tem algumas coisas que já estão com um preço bem melhor.

REPÓRTER FLÁVIA JANNUZZI: Em junho, os alimentos tiveram a menor alta em quase dois anos e isso ajudou a frear a inflação. O IPCA ficou em 0,26%, abaixo do registrado em maio. O resultado só não foi mais baixo por causa dos transportes. O reajuste das tarifas de ônibus, suspenso no fim do mês passado, chegou a valer por 20 dias em cidades como aqui no Rio, e em São Paulo. E esse período de passagens mais caras pesou na inflação. Mesmo com a desaceleração, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses ficou em 6,7%. E pela segunda vez no ano, estourou o teto da meta do governo, de 6,5%.

ECONOMISTA COPPEAD-UFRJ/MARGARIDA GUTIERREZ: O índice continua pressionado. O setor de serviços, na sua maioria, está tendo um aumento de preços por duas razões: aumento do custo/salário e aumento da demanda também.

APRESENTADORA ANA PAULA ARAÚJO: O ministro da Fazenda, Guido Mantega, lamentou o fato de a inflação acumulada em 12 meses ter ultrapassado a meta. E disse que no segundo semestre, em algum momento, ela vai cair abaixo do limite máximo de tolerância do Banco Central.

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