Jornal alemão afirma que Bolsonaro será uma “marionete”, à mercê dos militares nos próximos anos

Para o jornal semanal alemão Die Zeit, em meio ao caos provocado pela aceleração das mortes causadas pela Covid-19 e de um atual presidente sem poder, a influência das Forças Armadas segue crescendo, com a concordância de muitos brasileiros

Presidente Jair Bolsonaro faz pronunciamento no Palácio do Planalto
Presidente Jair Bolsonaro faz pronunciamento no Palácio do Planalto (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
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Por Nathalia Bignon, para o 247 - O jornal semanal alemão Die Zeit (em português: O Tempo) publicou neste domingo (26) uma análise sobre a conjuntura política do Brasil em plena pandemia do coronavírus. 

Intitulado “A hora dos Generais”, a publicação afirma, em meio ao caos provocado pela aceleração das mortes causadas pela Covid-19 e de um atual presidente sem poder, a influência das Forças Armadas segue crescendo, com a concordância de muitos brasileiros.

Citando o “jogo de intrigas” iniciado no país na última sexta-feira (24), quando Sérgio Moro fez uma série de acusações ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), durante seu anúncio de demissão, a aposta é que o chefe de Estado brasileiro figurará, nos próximos anos, apenas como uma espécie de “marionete”, à mercê dos militares, e que para controlar o caos sanitário e a profunda crise econômica, a entrega do país aos militares já parece estar a caminho. 

"Desfecho ultrajante"

No entanto, o desfecho cogitado pelo próprio periódico é descrito como “ultrajante” em um país que foi governado por generais de 1964 a 1985 e que teria todos os motivos para evitar para sempre o retorno dos líderes militares. 

“Há, ainda, uma ironia amarga, porque o ex-capitão Bolsonaro, um político com visão extremista de direita, sempre se empenhou em conquistar o poder militar e, assim, também inspirou alguns de seus seguidores (que são, obviamente, uma minoria no país), diz um trecho do artigo. 

Moro

Descrevendo o agora ex-ministro como um dos juízes "mais famosos do mundo, por liderar as investigações e condenações de políticos corruptos, executivos de empresas e criminosos comerciais, o Die Zeit afirma que Moro construiu uma reputação de jurista impiedoso contra a corrupção. 

O jornal ainda aponta ainda que, antes de sua saída, Sérgio Moro acusou Bolsonaro de uma série de crimes inconstitucionais, ao tentar interferir no trabalho comandado pela Polícia Federal, buscando fazer da instituição um “braço” de seu poder pessoal.

Bolsonaros

Também cita que, entre as razões para tal, estariam denúncias embaraçosas contra Bolsonaro e sua família, assim como aliados políticos. Entre outras coisas, o jornal afirma que a saída do diretor-geral da PF parece estar diretamente ligada ao suposto envolvimento dos seus filhos em negócios corruptos, com quadrilhas de milícias paramilitares no Rio de Janeiro e em campanhas de fake news, que incluem pedidos de assassinato e extorsão.

“Alguns desses paramilitares, com quem os Bolsonaros mantinham negócios e, às vezes, relações pessoais, também estão envolvidos no assassinato da vereadora de esquerda, Marielle Franco, morta em 14 de março de 2018”, sendo que os 'próprios membros do clã Bolsonaro 'podem estar relacionados, no entanto, sem provas', diz outra do texto. 

O jornal conclui afirmando que “no quesito intriga política, os políticos do Brasil não são páreo”. 

Die Zeit

Conhecido pelo cunho liberal de suas publicações, o Die Zeit foi fundado em 1946, na Alemanha do pós-guerra. Um dos principais diferenciais do jornal é a objeção ao sensacionalismo e aos interesses meramente financeiros. Desde sua fundação, sua meta continua sendo a ponderação razoável e a defesa de valores morais, especialmente no que diz respeito às sequelas do passado nazista. O jornal tem circulação semanal e é editado, atualmente, em Hamburgo.

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