Jornal holandês denuncia golpe de estado no Brasil

Um golpe de Estado está em curso no Brasil. É o que denuncia o jornal holandês de Volkskrant, em entrevista com Marianne Wiesebron, brasilianista e professora de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Leiden, na Holanda

Um golpe de Estado está em curso no Brasil. É o que denuncia o jornal holandês de Volkskrant, em entrevista com Marianne Wiesebron, brasilianista e professora de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Leiden, na Holanda
Um golpe de Estado está em curso no Brasil. É o que denuncia o jornal holandês de Volkskrant, em entrevista com Marianne Wiesebron, brasilianista e professora de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Leiden, na Holanda (Foto: Leonardo Attuch)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Do Cafezinho – Um golpe de Estado está em curso no Brasil. É o que denuncia o jornal holandês de Volkskrant, em entrevista com Marianne Wiesebron, brasilianista e professora de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Leiden, na Holanda. 

“Um golpe de Estado está em curso no Brasil. Todo mundo sabe que é justamente Rousseff quem não é corrupta”, diz Wiesebron.

Ela ainda afirma que o processo de impeachment contra Dilma é antidemocrático.

“O processo de impeachment existe para lutar contra o crime, e o que Rousseff fez não cabe na definição necessária para uma renúncia ao cargo”.

Segundo Wiesebron, é evidente o papel do vice-presidente Michel Temer no golpe contra Dilma.

“Já faz um ano que um grupo de oito se prepara para tirar Rousseff do poder. Um deles é o vice-presidente Michel Temer. No mês passado, seu partido deixou a coligação com o PT de Rousseff, mas ele não. E por quê? Porque com a queda de Rousseff ele sobe ao poder. Esta é única maneira pela qual eles podem tomar o poder”.

Na avaliação da brasilianista, o impeachment de Dilma tem raízes na lute de classes.

“A direita brasileira não suporta a ideia de que o Partido dos Trabalhadores já está há 14 anos no poder e ajudou 30 a 40 milhões de pessoas a sair da pobreza”. “Com a ascensão da classe média, eles estão vendo seus privilégios desaparecer. Depois da reeleição de Dilma em 2014, eles apelaram três vezes ao conselho eleitoral contra a vitória e perderam as três vezes. Mas parece que eles acabarão conseguindo a vitória de uma maneira antidemocrática”.

A pesquisadora lembra ainda que o próprio vice-presidente, Michel Temer, está envolvido em suspeitas de corrupção, assim como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

“É hipocrisia ao extremo. Principalmente porque durante as viagens oficiais de Rousseff, ele mesmo, como vice-presidente, não era avesso à contabilidade criativa. Seu colega de partido e Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, também não é diferente. Ele foi mencionado nos Panamá Papers, mas pede que fechem os olhos para as suas finanças questionáveis como uma recompensa pela queda de Rousseff”, afinetou Wiesebron.

A pesquisadora ainda explicou à reportagem do de Volkskrant que a mídia brasileira é extremamente partidarizada, anti-PT e anti-Rousseff.

“A gigante midiática Globo desempenha um papel particularmente nocivo. Recentemente um veterano foi demitido, porque disse ser contra o impeachment e, consequentemente, a favor da permanência de Dilma. É assim no Brasil: as notícias são estupradas. Desculpe a palavra, mas não posso descrevê-lo de outra forma”.

Wiesebron finaliza a entrevista afirmando que é dever do Senado brasileiro barrar o impeachment de Dilma.

“Oito mil advogados brasileiros já assinaram um manifesto com esse apelo. Eles também acham que um golpe de Estado está em curso. Agora é o Senado que decidirá se o procedimento realmente será instaurado”.

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

Cortes 247

WhatsApp Facebook Twitter Email