Jornalista detalha seu encontro com Olavo: me chamou de vagabunda. Idiota. Maliciosa. Filha da puta... puta

Letícia Duarte, que publicou um perfil do ideólogo da direita na revista americana The Atlantic, revela nas redes sociais mais bastidores de sua segunda ida à casa de Olavo de Carvalho no estado de Virgínia, EUA. “Estava ciente de que Olavo costuma atacar jornalistas, mas foi pior do que eu pensava”, desabafa

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247 - A jornalista brasileira Letícia Duarte, autora de um perfil sobre Olavo de Carvalho publicado na revista americana The Atlantic, publicou em sua conta no Twitter ao longo deste domingo uma série de tuítes contando mais bastidores de seu segundo encontro com o ideólogo da direita na cidade de Petersburg, no estado da Virgínia, Estados Unidos.

Em um trecho do texto da revista, Letícia já trazia alguns detalhes de como havia sido a conversa (leia mais na Fórum). “Em pouco tempo, ele estava estendendo o braço direito e apontando o dedo indicador para o meu rosto. “‘Você é muito maliciosa, perversa, mentirosa – está me difamando!’ Ele gritou. ‘Você é uma vagabunda’, continuou, apontando o dedo. ‘Você vem à minha casa com esse sorriso cínico … Você não vale nada, mulher!'”, contou na publicação americana.

Desta vez, pelo Twitter, ela lembrou que já havia entrevistado Olavo em outubro de 2018 e que por quatro meses fez contato para tentar uma segunda conversa, já em 2019, a fim de atualizar os acontecimentos após a posse de Jair Bolsonaro e o andamento de seu governo. Depois de concluir seu mestrado na Universidade de Columbia, a jornalista foi selecionada como uma das repórteres do projeto global Democracy Undone, que analisa como líderes autoritários estão ameaçando a democracia pelo mundo. “Fui encarregada do capítulo brasileiro”, relata.

“Voltei à casa de Olavo porque acredito que história precisava ser contada. Porque Olavo é um personagem importante para entender o momento que o Brasil está vivendo, goste-se ou não dele. Estava ciente de que Olavo costuma atacar jornalistas, mas foi pior do que eu pensava”, escreve.

“Ao longo de 90 minutos de conversa, Olavo de chamou de vagabunda. Idiota. Maliciosa. Filha da puta... puta. Nós dois estávamos gravando a entrevista. Ao final, ele disse que não me autorizava a publicar nada do que ele falou. ‘Eu é que vou publicar’, ele disse”, prossegue Letícia.

Ao fim dos 16 tuítes publicados, ela raciocina: “Como jornalista, quero entender como essa lógica autoritária opera, porque ela é perigosa para a democracia. A propósito, Olavo começou a me atacar porque eu escrevi que ele era de ‘extrema-direita’, quando ele mesmo assume isso em outros escritos”.

“Estou convencida de que esta cartilha de ataques é muito danosa à democracia. Tenho pensado muito em como ultrapassar essa polarização cega para retomar o diálogo social. O que pode ser maior do que o ódio? Quais são nossos valores comuns? Precisamos refletir”, conclui.

A repórter publicou sua conversa com Olavo em seu podcast Weaponize Fear (ouça aqui). A parte sobre Olavo começa depois de uns 15 minutos.

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