Kotscho: para salvar Lula, Dilma põe governo em risco

"Com a nomeação de Lula para salvar o ex-presidente da Lava Jato e evitar o impeachment, Dilma conseguiu provocar o efeito contrário e jogar quase todo mundo contra ela. Agora, ao insistir na política do vale tudo, pode colocar em risco o seu governo e as próprias instituições democráticas. A crise política está chegando a um ponto terminal e absolutamente fora de controle", disse o colunista Ricardo Kotscho 

"Com a nomeação de Lula para salvar o ex-presidente da Lava Jato e evitar o impeachment, Dilma conseguiu provocar o efeito contrário e jogar quase todo mundo contra ela. Agora, ao insistir na política do vale tudo, pode colocar em risco o seu governo e as próprias instituições democráticas. A crise política está chegando a um ponto terminal e absolutamente fora de controle", disse o colunista Ricardo Kotscho 
"Com a nomeação de Lula para salvar o ex-presidente da Lava Jato e evitar o impeachment, Dilma conseguiu provocar o efeito contrário e jogar quase todo mundo contra ela. Agora, ao insistir na política do vale tudo, pode colocar em risco o seu governo e as próprias instituições democráticas. A crise política está chegando a um ponto terminal e absolutamente fora de controle", disse o colunista Ricardo Kotscho  (Foto: Roberta Namour)

Por Ricardo Kotscho

Em tempo:

durou pouco a posse do ex-presidente Lula na Casa Civil, em cerimonia realizada na manhã desta quinta-feira, no Palácio do Planalto. Em liminar concedida por volta do meio dia, o juiz federal Itagiba Catta Preta Neto concedeu liminar suspendendo a posse de Lula no cargo. A decisão tem efeito imediato, acolhendo ação popular protocolada na Vara Federal do DF, por crime de responsabilidade.

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Nove horas da manhã de quinta-feira, dia 17 de março. A uma hora da posse de Lula na Casa Civil, o País está em pé de guerra. A avenida Paulista já foi mais uma vez fechada por manifestantes, que começam a se aglomerar também em frente ao Palácio do Planalto, onde o policiamento foi reforçado para evitar confrontos, como ocorreu na véspera, com o reforço do Batalhão da Guarda Presidencial.

Com a nomeação de Lula para salvar o ex-presidente da Lava Jato e evitar o impeachment, Dilma conseguiu provocar o efeito contrário e jogar quase todo mundo contra ela. Agora, ao insistir na política do vale tudo, pode colocar em risco o seu governo e as próprias instituições democráticas. A crise política está chegando a um ponto terminal e absolutamente fora de controle.

A divulgação dos grampos da Polícia Federal nos celulares de Lula acabou sendo a gota d´água que faltava para encurralar um governo agonizante. Na gravação, Dilma diz a Lula, pouco depois de ser anunciada a sua nomeação:

"Seguinte, eu tô mandando o Messias junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse".

A revelação desta espécie de salvo-conduto foi o estopim para deflagar uma rebelião na Câmara, com os deputados pedindo aos gritos a renúncia da presidente, e para levar novamente milhares de pessoas às ruas, com protestos em Brasília e nas principais capitais brasileiras.

Nas gravações divulgadas pelo juiz Sergio Moro no final da tarde, aparecem ataques grosseiros de Lula ao Congresso Nacional, aos tribunais superiores, à PF e à Receita Federal, em conversas com ministros, parlamentares e dirigentes do PT.

A anunciada saída do PMDB da base governista pode ser seguida agora por outros partidos no mesmo dia em que a Câmara se prepara para instalar a comissão especial do impeachment.

Com Lula no governo, Dilma pretendia recuperar o apoio do PMDB, acalmar os mercados e ressuscitar a economia. Aconteceu tudo ao contrário. E, para piorar a situação, o vazamento das gravações expôs diretamente a presidente Dilma nas tentativas de obstrução da Justiça.

Enquanto especialistas discutem a legalidade da decisão de Moro, o governo anuncia que pretende processar o juiz e a oposição tenta impedir a posse de Lula na Casa Civil, o fato é que mais uma vez o Supremo Tribunal Federal será convocado para decidir os destinos do País.

Agora não se discutem mais meios para garantir a governabilidade, que já havia entrado em colapso nas últimas semanas, mas a sobrevivência do próprio governo petista e o que poderá vir depois dele.

Para a maioria das pessoas com quem converso, é melhor um final horroroso do que um horror sem fim, como já se resignou outro dia um assessor próximo da presidente Dilma. De fato, estamos vivendo dias de horror, de revolta e de vergonha. Já faltam palavras a velhos comentaristas como este que vos escreve para contar o que está acontecendo. Ninguém aguenta mais.

Vida que segue.

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