Lula pode ser o novo Getúlio, diz historiadora

A historiadora Heloisa Starling afirma que se se confirmar a impugnação da candidatura Lula, o ex-presidente pode se equiparar a Getúlio Vargas no quesito poder de mobilização popular, transferindo grande quantidade de votos para seu vice Fernando Haddad; em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, Starling diz ainda que Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) não se colocam como líderes que pensam o país, mas como gestores

Lula pode ser o novo Getúlio, diz historiadora
Lula pode ser o novo Getúlio, diz historiadora

247 - A historiadora Heloisa Starling afirma que se se confirmar a impugnação da candidatura Lula, o ex-presidente pode se equiparar a Getúlio Vargas no quesito poder de mobilização popular, transferindo grande quantidade de votos para seu vice Fernando Haddad. Em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, Starling diz ainda que Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) não se colocam como líderes que pensam o país, mas como gestores. 

Na matéria da jornalista Naief Haddad, Starling diz que o Brasil parecia ter uma democracia consolidada em 2015, mas que a república ainda era incipiente como valor institucional no cenário brasileiro. A historiadora diz que, por isso, reeditou seu livro de 2015 em parceria com Lilia Schwarcz, 'Brasil: um Biografia'. Havia ali a necessidade de retificar o termo 'democracia consolidada'. 

Starling fala também da estrutura de poderes brasileiros, que permanece desequilibrada e que possibilitou a cena devastadora a que todos assistimos: "o segundo ponto é o desequilíbrio na distribuição dos poderes. Há uma grande retração do Executivo. O Legislativo, por razões de corrupção, fisiologismo, incompetência, também se retraiu. O Montesquieu [filósofo francês que viveu entre 1689 e 1755] tinha razão: o poder é intrusivo. Se não tiver limite, cresce e invade as outras áreas. É o caso do Judiciário. O equilíbrio democrático pressupõe que Judiciário, Legislativo e Executivo freiem uns aos outros. Quando dois deles ficam muito frágeis, o poder vai embora. É um problema para a democracia porque atinge a liberdade e a Constituição.

Continuando a reflexão sobre os poderes, Starling fala de uma psicologia dos atores políticos e de Bolsonaro: "há ainda um outro elemento, que é a disseminação em setores da sociedade da convicção de que a política não vale a pena e que as pessoas devem se voltar para si mesmas, exigindo que os seus interesses pessoais sejam garantidos. Esse é um caminho para governos autoritários (...) Eu não considero que o Bolsonaro defenda os valores militares, que são de outra natureza, como coragem ligada à defesa da pátria diante do inimigo externo e compaixão que conduz à realização de campanhas humanitárias. O que ele defende são princípios autoritários."

A historiadora reforça que não há necessariamente uma tendência ao militarismo no imaginário brasileiro encarnado por candidatos conservadores, mas sim um pendor autoritário: "o que acontece é um desvio perigoso. Durante nossa história republicana e a partir do momento em que as Forças Armadas se entendem como gente, existe um traço permanente que é o intervencionismo militar. Sair do seu campo profissional específico para se meter na política. Há uma consequência imediata desse intervencionismo na vida pública nacional: militar é treinado para a guerra. Então na hora que ele se transfere para política, é difícil encontrar um militar que aja de forma não-autoritária porque se você é treinado para o conflito da guerra, faz uso da violência e não pode discordar de ordens, você tem de obedecer. Afinal, sua vida está em risco."

Ainda, sobre intervenções militares, ela diz: "as Forças Armadas intervêm na história política brasileira de duas maneiras: ou por meio de golpes ou com candidaturas. Lembre-se das candidaturas de Eurico Gaspar Dutra, general, ou do Henrique Teixeira Lott, brigadeiro, um posto de oficial general também, só que na Aeronáutica. Bolsonaro não se encaixa nesse perfil, é uma novidade."

 

 

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