Marcos Coimbra: ideias de Barroso são 'neoautoritarismo'
O sociólogo e diretor do Instituto Vox Populi Marcos Coimbra afirma que o ministro Luís Roberto Barroso encarna uma entidade sem voto e sem razão; ele diz: "o condutor intelectual da decisão contrária ao desejo popular foi Barroso. Ao votar, repetiu velhos raciocínios e exibiu o que pensa do povo e da democracia. Suas ideias não vão além de uma espécie de neoautoritarismo, que preserva e atualiza, com menos brilho, a obra de autores como Oliveira Vianna, Azevedo Amaral e Francisco Campos, personagens do debate jurídico e político na República Velha, ideólogos das restrições à democracia e da ditadura estado-novista"
247 - O sociólogo e diretor do Instituto Vox Populi Marcos Coimbra afirma que o ministro Luís Roberto Barroso encarna uma entidade sem voto e sem razão. Ele diz: "o condutor intelectual da decisão contrária ao desejo popular foi Barroso. Ao votar, repetiu velhos raciocínios e exibiu o que pensa do povo e da democracia. Suas ideias não vão além de uma espécie de neoautoritarismo, que preserva e atualiza, com menos brilho, a obra de autores como Oliveira Vianna, Azevedo Amaral e Francisco Campos, personagens do debate jurídico e político na República Velha, ideólogos das restrições à democracia e da ditadura estado-novista".
Em artigo publicado na Carta Capital, Marcos Coimbra destaca que o Brasil vive um momento obscuro no que diz respeito à compreensão da democracia: "na sexta-feira 31 de agosto, o mês mais aziago de nossa história política, aconteceu um embate entre duas visões do Brasil no Tribunal Superior Eleitoral. Em um dos cantos do ringue, a defesa de Lula representava, através de seu cliente, o sentimento da maioria do País".
Ele prossegue: "no outro, um grupo de magistrados, chefiados pelo ministro Luis Roberto Barroso, expressava os desejos da parte menor da sociedade, mas daquela que detém o poder econômico, a força política e que dirige as instituições culturais hegemônicas, em especial a 'grande' imprensa."
Para, finalmente, ponderar sobre os desequilíbrios institucionais em jogo: "o resultado foi o previsível: venceram os fortes. Na decisão que tirou Lula da eleição, ele e seu partido saíram derrotados, mas não estavam sozinhos. É mais que retórica. Há muitas pesquisas, feitas por diferentes institutos, que mostram o que a população pensa da campanha contra Lula. É majoritária a parcela que considera que juízes como Sergio Moro condenam sem provas e têm 'motivações políticas'.”