Marqueteiro de Goiás parte para cima da imprensa

Renato Monteiro, publicitário da campanha de Paulo Garcia, usa microblog Twitter para reclamar das críticas que recebe pelo programa eleitoral de seu cliente; para ele, jornalista só tem que elogiar

Marqueteiro de Goiás parte para cima da imprensa
Marqueteiro de Goiás parte para cima da imprensa (Foto: Divulgação)

247 - A atividade do marqueteiro político ainda não é bem definida na sociedade, mesmo sendo tão importante para o processo eleitoral. Antes de vencer as eleições de 2002, o cineasta João Moreira Salles realizou o documentário "Entreatos", em que Lula passa um pito no marqueteiro Duda Mendonça. Lula corrige o próprio 'mestre' da comunicação, que tenta vencer a disputa com palavras mágicas e fórmulas que quase sempre se revelam pouco efetivas. Lula ganhou menos por marketing e mais pela mudança dos tempos.

As eleições em Goiânia fazem ressurgir debates sobre os marqueteiros, esses mesmos que são importantes, mas sem saber exatamente onde. Nesta semana, por exemplo, uma simples crítica de uma jornalista do jornal O Popular, de Goiânia, ao publicitário Renato Monteiro, responsável pela campanha do candidato a reeleição na Capital goiana, Paulo Garcia (PT), fez a mídia tornar-se em um problema, e vez de solução. De amuleto, o marqueteiro passou a militante.

Considerado espaço público importante para os grandes debates desde a Revolução Francesa, a mídia foi alvo das críticas do marqueteiro, que usa exatamente a imprensa e as esferas públicas para popularizar a imagem do seu candidato. A pérola do publicitário veio no microblog Twitter: "Setores da mídia querem pautar a eleição a partir da sua linha editorial ora mau humorada, ora sensacionalista".

Ele se refere às críticas recebidas por uma opinião, que é pessoal, mas acima de tudo fundamentada numa liberdade expressa na Constituição Federal. A jornalista Fabiana Pulcinelli, que escreveu o comentário no jornal de Goiás, é fustigada de forma subliminar, sem que seja citada diretamente: "Na determinação de ditar a pauta da campanha eleitoral esses setores da mídia sacrificam o caderno política e apostam no caderno cidades".

Fosse um comentário dito por especialistas em gêneros jornalísticos, como José Marques de Melo ou teóricos da notícia, caso de Nilson Lage, seria compreensível. Mas a crítica do publicitário é direcionada a uma profissional que, constitucionalmente, exerce o direito de apontar as falhas na propaganda e programa de governo do candidato à reeleição como bem entender.

Renato Monteiro está irritado é, de fato, com o descontentamento geral provocado pelas peças publicitárias apresentadas por sua equipe. As avaliações feitas do programa indicam que ele não agrada nem interna nem externamente por ser excessivamente sofisticado e autoral, uma espécie de poeta da publicidade. O dasabafo no twitter é mais uma estratégia de campanha, só que de desabonar quem critica o que é para ser criticado.

Monteiro foi marqueteiro de Marconi Perillo na sua primeira eleição e de Pedro Wilson (PT), ex-prefeito de Goiânia. No primeiro, venceu a disputa – com o auxílio das mudanças que se anunciavam. No segundo, evita dizer que perdeu. Mas comandou um desastre eleitoral. Na verdade, talvez seja o fato mais notório, dito antes por Paul Lazarsfeld, um dos mentores do marketing político. Para ele, o marqueteiro não é fundamental. Fundamental é o político. O problema é que os marqueteiros insistem em pensar como se fossem os gestores públicos ao mesmo tempo.

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