Mello Franco: motim expôs a cumplicidade do Planalto com a agitação nos quartéis

O jornalista Bernardo Mello Franco considera que "a Polícia do Ceará voltou às ruas, mas deixou um cheiro de pólvora no ar. 'O motim expôs a cumplicidade do Planalto com a agitação nos quartéis. Isso pode servir de incentivo a novos levantes armados pelo país.

Bernardo Mello Franco; Carla Zambelli e coronel Aginaldo de Oliveira
Bernardo Mello Franco; Carla Zambelli e coronel Aginaldo de Oliveira (Foto: Reprodução)
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247 - O jornalista Bernardo Mello Franco, em sua coluna no Jornal O Globo,  considera que "a Polícia do Ceará voltou às ruas, mas deixou um cheiro de pólvora no ar. 'O motim expôs a cumplicidade do Planalto com a agitação nos quartéis. Isso pode servir de incentivo a novos levantes armados pelo país.

"No domingo, o diretor da Força Nacional chamou os policiais que cruzaram os braços de 'gigantes' e 'corajosos'.' Só os fortes conseguem atingir seus objetivos', elogiou o coronel Antônio Aginaldo de Oliveira. Ele é casado com a deputada bolsonarista Carla Zambelli, e Moro foi padrinho do enlace.
Não houve gigantismo nem coragem no motim da PM cearense. Os grevistas aterrorizaram a população desarmada, que permaneceu nove dias como refém. Em algumas cidades, policiais adotaram práticas do tráfico e saíram encapuzados para ordenar o fechamento do comércio", acrescenta o jornalista. 

"O motim deixou um saldo de 241 mortos em nove dias. Um senador tentou avançar contra os grevistas e foi baleado no peito, mas Moro declarou que 'prevaleceu o bom senso, sem radicalismos', informa Zambelli. 

"No Congresso, circulam duas explicações para o corpo mole do Planalto. Jair Bolsonaro sabe que os líderes do movimento são seus eleitores, e preferiu compactuar com a desordem a perder votos. Ao mesmo tempo, o presidente farejou uma nova oportunidade para enfraquecer os governos estaduais".

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