Mídia faz ouvidos moucos ao suicídio do reitor, diz ombudsman da Folha

"O corpo no chão do shopping tornou-se trágico sinal de alerta. A aceitação passiva do discurso policial, o açodamento na busca de culpados por desvios, a imperícia nas técnicas elementares de reportagem e a irresponsabilidade de agentes públicos contribuíram para a morte de cidadão privado do direito à presunção da inocência", diz a jornalista Paula Cesarino Costa, em sua crítica ao sensacionalismo da mídia no caso do reitor Luiz Cancillier

reitor Cancellier
reitor Cancellier (Foto: Leonardo Attuch)

247 – A jornalista Paula Cesarino Costa, ombudsman da Folha, critica o sensacionalismo da mídia na cobertura de ações policiais, ao comentar a morte de Luiz Cancillier, ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina.

"O corpo no chão do shopping tornou-se trágico sinal de alerta. A aceitação passiva do discurso policial, o açodamento na busca de culpados por desvios, a imperícia nas técnicas elementares de reportagem e a irresponsabilidade de agentes públicos contribuíram para a morte de cidadão privado do direito à presunção da inocência", afirma.

"O ambiente punitivo nascido da espetacularização da ação policial e dos procedimentos judiciais tem reflexos e responsabilidade da imprensa. Jornais e jornalistas não podem aderir a ondas nem de condenação de acusados nem de ataque aos investigadores. Precisam refletir sobre seu trabalho, reavaliar as ferramentas de controle, insistir na busca do relato jornalístico mais preciso e plural. Certo comportamento de manada, em que um faz algo porque outro fez, deve ser vigiado e combatido."

Segundo ela, em alguns momentos, é preciso ter coragem para publicar; em outros, a ousadia de não publicar.

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