Militantes a Bernardo: “traidor, privatista”

Ministro das Comunicações critica resolução do PT sobre marco regulatório da mídia e desonerações às companhias de telecomunicações e recebe ataques; comentários e piadas nas redes sociais o chamam de "ministro das Teles" ou ainda de "Globernardo"; para o presidente do PT, discutir marco regulatório é ampliar a democracia; Paulo Bernardo afirma ser importante não confundir o tema com investimento e nem com controle da imprensa

Militantes a Bernardo: “traidor, privatista”
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247 – As declarações do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, contra uma resolução do PT aprovada no início do mês causaram repercussões de parlamentares do PT, jornalistas e internautas, que defendem que o que pede o PT não é censura e que as companhias de telecomunicações não deveriam receber subsídios do governo federal. "Bernardo: marco regulatório não é controle da imprensa", escreveu o jornalista Luis Nassif, em seu blog.

"Empresa privada não tem que ter subsídio, tem que ser regulada pelo mercado. E sou favorável à democratização da mídia", afirmou o deputado Dr. Rosinha (PT-PR). Uma entrevista com o presidente do PT, Rui Falcão, ao Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação (FNDC) publicada nesta quarta-feira 20 pelo Correio do Brasil também teve grande repercussão nas redes. Nela, Falcão diz que o governo tem uma dívida com a sociedade e que discutir o marco regulatório representa ampliar a democracia.

"Todos os países têm algum tipo de regulação sobre os meios eletrônicos e não é cerceamento, ao contrário, procuram corresponder ao fato de que o direito à informação, à liberdade de expressão, é também um direito individual. Mas, com os meios modernos de comunicação, com a convergência das mídias, cada vez mais esse direito é interativo, coletivo e social. É preciso que o Estado, em nome da sociedade, fixe parâmetros e regras que não implicam a restrição de conteúdo, mas normas de funcionamento para esses meios, que são cada vez mais poderosos, formam opiniões e difundem interesses. Em todos os países há alguma regulamentação para os meios eletrônicos", afirma Rui Falcão.

Nos comentários da reportagem "Governo tromba com PT sobre teles e mídia", publicada no 247 nesta quarta-feira, os leitores chamam Paulo Bernardo de "Globernardo", de "ministro das teles" ou "ministro da Telefonica". Outras críticas o acusam de ser "traidor" e "privatista", comparando-o com o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. Histórias em quadrinhos circulam pelo Facebook e pelo Twitter com diálogos entre o ministro e FH, pelos quais o tucano diz estar com "uma pontinha de inveja" e o petista responde: "Privatizo mesmo, e daí?".

Para o ministro, PT confunde marco regulatório com investimento

O ministro das Comunicações fez críticas ao documento "Democratização da mídia é urgente e inadiável", aprovado pelo PT durante convenção realizada em Fortaleza, no início de março. Ele acredita ser "incompreensível" que o partido "misture" dois assuntos que, para ele, são separados: marco regulatório da mídia e desoneração das teles - no caso, o partido ataca os subsídios concedidos pelo governo às empresas de telecomunicações. "É incompreensível que um partido que está há dez anos no governo seja contra a desoneração e critique o nosso esforço para baixar impostos", diz ele.

Paulo Bernardo, que é filiado ao PT há 28 anos, diz ainda ser muito importante não se confundir marco regulatório com controle da imprensa e garante que "não há e nunca vai haver" marco regulatório para jornais e revistas. Alvo de críticas dos militantes, o anúncio do governo de desoneração das teles prevê subsídios de R$ 6 bilhões para o setor das telecomunicações nos próximos cinco anos. O plano é que as companhias invistam cerca de R$ 18 bilhões no País nos próximos três anos.

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