'Moderação' de Bolsonaro era medo da polícia, diz Bernardo Mello Franco

Colunista do Globo escreve que Bolsonaro deu chilique no domingo e ameaçou um jornalista, demonstrando que passou uns dias agindo com moderação por medo da polícia

Bernardo Mello Franco e Jair Bolsonaro
Bernardo Mello Franco e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução | Marcos Corrêa/PR)
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247 - "Jair Bolsonaro voltou a dar chilique ao ser questionado sobre os rolos da família. No domingo, um repórter do Globo perguntou por que Fabrício Queiroz depositou R$ 89 mil na conta da primeira-dama. O presidente fez careta, chamou o jornalista de 'safado' e ameaçou silenciá-lo na base da 'porrada'. Só não quis explicar a transação suspeita, escreve o jornalista Bernardo Mello Franco.

"Bolsonaro já havia apresentado uma versão capenga para os cheques de Michelle. Em dezembro de 2018, ele disse ter emprestado R$ 40 mil ao ex-PM. O dinheiro teria sido devolvido à primeira-dama porque o capitão, muito ocupado, não tinha tempo de ir ao banco".

"No domingo, o presidente foi confrontado com mais uma história mal contada: o valor pingado na conta de Michelle foi mais que o dobro do admitido. Sem resposta, Bolsonaro agrediu o autor da pergunta. Reação típica de quem não consegue se explicar".

"O novo ataque à imprensa mostra que é tolice acreditar na fantasia de um Bolsonaro moderado". 

"O candidato a ditador teria aprendido, enfim, a conviver com a democracia".

"Não era moderação, era medo da polícia. Bolsonaro adotou a tática do silêncio quando Queiroz foi preso. Bastou o sargento sair da cadeia para o capitão voltar a ser quem sempre foi. Um político autoritário, que trabalha para implodir o sistema que o elegeu".

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