Na disputa pela Folha de S.Paulo, irmãos em guerra pelo dinheiro e acusação operação ilegal

Maria Cristina Frias acusa o irmão Luís Frias de de receber uma transferência ilegal de ações do UOL, com uso de informações privilegiadas, numa disputa bilionária

Maria Cristina Frias e Luiz Frias
Maria Cristina Frias e Luiz Frias (Foto: World Economic Forum/Benedikt von Loebell | Webysther | Reprodução)
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247 - A disputa societária entre os acionistas do jornal Folha de S.Paulo ganhou um novo capítulo com mais acusações pesadas entre os irmãos Frias. A ex-diretora de redação Maria Cristina Frias acusa seu irmão mais novo, Luis Frias, de receber uma transferência ilegal de ações do UOL, com uso de informações privilegiadas. A operação teria sido feita às vésperas da abertura de capital da PagSeguro, empresa de meios de pagamento controlada pelo grupo, informa o Valor Econômico

A ação judicial foi recebida no dia 31 de março pela Justiça. Nela, a jornalista pede o pagamento de uma indenização à “Folha de S.Paulo”, que teria sido prejudicada pela operação de Frias. 

Segundo a acusação, a transferência de papéis foi feita no fim de 2017, pouco antes da oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) bilionária da PagSeguro, realizada no fim de janeiro de 2018. Nessa operação, Luis Frias recebeu 1.538.462 ações do UOL - equivalentes a 1,29% do capital da empresa. Os papéis foram entregues a ele pela FolhaPar, holding que controla o UOL (que, por sua vez, controla a PagSeguro). 

O motivo dessa transferência foi o pagamento de um empréstimo, firmado em 2011 - à época, o UOL fechava seu capital na Bolsa de São Paulo e, para completar a recompra de ações, Frias afirma ter emprestado à FolhaPar R$ 30 milhões de seu próprio bolso. 

Pelos termos do empréstimo assinado, o pagamento da dívida poderia ser feito em dinheiro ou por meio da entrega de 1.538.462 ações do UOL - o documento não faz referência ao valor de mercado desses papéis, fixando apenas o volume de ações. 

A transferência realizada em 2017, portanto, seria simplesmente a quitação dessa dívida passada, defendeu-se Luis Frias. 

Na ação judicial, porém, Maria Cristina questiona o preço dos papéis considerado na operação, “muito abaixo do real”. Além disso, afirma que a decisão de quitar o empréstimo em 2017, seis anos depois, “não lhe poderia ser mais conveniente”, considerando a proximidade do IPO. 

A jornalista alega ainda que, naquele momento, a administração da FolhaPar detinha “informações privilegiadas, relacionadas às condições da abertura de capital da PagSeguro, tendo delas irregularmente se utilizado”, diz. Ou seja, aponta que seu irmão autorizou a transferência das ações a um preço baixo, sabendo que valeriam muito mais. 

Com isso, ele teria prejudicado os demais acionistas da FolhaPar, principalmente a Empresa Folha da Manhã (que edita a “Folha de S.Paulo”). 

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